Cumprir prazos. Nem sempre é fácil o cumprimento de prazos que tantas vezes nos estabelecem ao longo da vida. E para tal, vamos tentando criar estratégias para que consigamos sempre acabar tudo em hora certa.
Ela começa a controlar a o tempo. Duas horas para isto, duas horas para aquilo. Sentava-se ao computador com hora certa de sair (até parecem os velhos tempos em que pagávamos a Internet à hora). “Oh não, já só tenho cinco minutos e ainda não acabei o que queria, já vou atrasar tudo”. E com atrasar tudo, refiro-me obviamente à leitura do seu livro e à escrita de umas palavras para o livro que ansiava escrever. Seriam mais duas horas para cada uma das actividades. Só assim conseguia matar os tempos mortos. Só assim conseguia… Mas até assim tinha dificuldade em cumprir os horários. Talvez um dia pense também nos horários para os intervalos. “Que cinco minutos desperdiçados na ida à casa de banho” (imaginemos que ficava lá meia hora!). E assim continua a sua corrida contra o tempo…”já passaram dez minutos da hora, desisto, ninguém consegue viver assim”.
“Odeio atrasos, odeio atrasos. Os dedos mexem à velocidade da luz (pena que não seja tanto). Nem desistir consigo. Os prazos, os prazos. Os prazos existem para serem cumpridos, sempre me ensinaram assim. Luto contra os prazos, o tempo, o tempo que passa depressa demais. O tempo que não pára. Desejo um botão que desligue o tempo. E agora, o que faço? Acabei. Estou atrasada. Corro daqui para outro canto. Fujo para a próxima tarefa. Salto no tempo e estarei sempre atrasada. Ansiedade. A ansiedade constante dos minutos que passam no relógio do canto inferior direito do ecrã. Eles não param. Eles vivem a sua corrida contra si próprios.
Porque um minuto morre, assim que um minuto passa. E assim outro nasce, até que chegue o próximo. Tenho pena da vida curta do segundo…
Psicologicamente condenada pelo tempo…







