Dependências

Dependemos, dependemos… dependemos de tanto. Porque não consegue o ser humano viver sem depender? Porque necessitamos de nos inserir em sociedade? Porque não conseguimos nós viver isolados no nosso canto do mundo? São muitos os que tentam. Tentamos fechar-nos no nosso casulo…

Imaginemo-nos a fazer um esforço de não dependência.

Começamos por dizer não às drogas – esse grande flagelo. Somos bem sucedidos, não é assim tão difícil para quem nunca se iniciou nesse mundo.

Com bastante mais esforço dizemos não ao tabaco e ao álcool (mesmo que usemos este último esporadicamente, para nosso bel-prazer, não dependemos dele)

E saímos desta esfera e reparamos que ninguém vive sem se alimentar.

Dependência número 1: alimento

Continuando no mundo das necessidades básicas:

Dependência número 2: sono

Rendemo-nos às evidências e tentamos meter as necessidades básicas da vida como excepção. Podemos viver, concluímos nós. Mas não podemos ceder às dependências…

Pensamos na sociedade.

Dependência número 3: o dinheiro.

Impossível satisfazer a dependência número 1, que categorizámos como excepção essencial, sem o recurso à dependência número 3. Mais um para a lista de excepções. (Mesmo que tenhamos de nos satisfazer com pouco…)

Dependência número 4: conforto.

E este divide-se em duas grandes categorias: o conforto essencial à segurança: roupa para nos aquecer no Inverno e para que não andemos por ai nus em atentado ao pudor (hmm esperem, estará aqui uma dependência das leis às quais nos subjugamos, muitas vezes sem sequer pensarmos isso?). E coloquemos também aqui os outros pequenos confortos do lar: talheres por onde comemos, cama onde dormimos, cadeiras onde nos sentamos. Mas ok, estes são “o menos mal”. Dependências não necessárias, mas também não maléficas. Mas não era o nosso objectivo inicial viver sem dependências? Começámos mal… Passemos às dependências de luxo: telemóvel, computador, automóvel… ok paremos por aqui, de facto o conforto é a nossa dependência número 4 (e já há muita sorte em colocar tudo isto numa só categoria).

Dependência número 5: as pessoas

E aqui se encontra o grande cerne da questão. Ninguém vive completamente independentemente de todas as restantes pessoas. O carteiro que traz o correio importante, a mulher da limpeza que lhe evita o trabalho, o médico que lhe cura as doenças, etc, etc. Até chegarmos às que conseguem ser as maiores dependências: o marido, a mulher, o namorado, a namorada, a mãe, o pai…. Quem não depende de algo que atire a primeira pedra….

E porque queríamos nós viver totalmente independentes, totalmente auto-subsistentes? Não seria mais fácil? Sermos felizes sem precisar de absolutamente mais nada nem ninguém além de nós… Sonho ou Pesadelo?

Psicologicamente Dependente…

12 Respostas to “Dependências”

  1. Parvo Na Cadeira Says:

    Pergunta difícil dependência vs felicidade vs conforto….

    Acho que mais vale pensar que se algo nos faz feliz então vamos fazê-lo, mas tem de ser algo que nos deixe mesmo em paz, não caprichos.

    Enfim… acho que é a piada toda da vda ter estas batalhas internas.

  2. O Picador de Gelo Says:

    Abaixo a (In)dependência !…

    Hum… post abrangente.
    Dependemos do ar que respiramos? É uma dependência boa, então. Tem de ser, ou então se quisséssemos ser independentes dela teríamos que pôr fim à nossa vida:) Será essa a independência última?
    O dormir, o comer e…

  3. Raquel Moniz Says:

    It’s the circle of life.
    Tudo e todos interligados: seres vivos, mar, terra, fogo e ar.

    E assim é que faz sentido.

    Relativamente às dependências secundárias, se pensarmos nas positivas e que nos fazem felizes, como por exemplo a dependência que sinto do meu blog, porquê combate-la?
    Tudo passa por encontrar-mos um equilibrio, nós é que gerimos a dependência e não ela a nós.

    Gostei do tema🙂

  4. mindgap Says:

    Este post fez-me lembrar aquela história muito falada nos jornais há uns 2 anos atrás, aquando do alcatroamento da estrada que vai dar à Ribeira Grande. Para quem não se lembre… resumidamente, um indivíduo, na casa dos 50s, deixou família (mulher e filhos) e aproveitou uma sobra de estrada, construindo com as sua próprias mãos e alguns bocados de madeira uma cabana para sí próprio… nem luz nem água apenas uns bocados de madeira a servir de paredes…
    O homem que à partida queria isolar-se da sociedade, não queria incomodar ninguém nem que ninguém lhe incomodasse… entretanto, os nossos jornalistas tinham de contestar as condições desumanas em que o homem estava a viver e náo descansaram enquanto não alertaram as entidades responsáveis… propuseram-lhe entrar para os regimes da habitações sociais e um emprego, de forma a que pudesse voltar a integrar a sociedade de uma forma respeitável…. etc… etc… (essas tretas todas que se dizem por aí)… o indivíduo acabou por recusar, dizendo que apenas queria ficar no seu cantinho… não estando satisfeitos com esta resposta, os intervenientes no processo lá arranjaram forma de demolir a cabana, uma vez que o terreno não era propriedade dele… conclusão… o homem que a partida não incomodava ninguém acabou por passar a dormir na sua em frente a camara da ribeira grande… entretanto não sei se houve mais algum desenvolvimento desta triste e lamentável história… tudo em prol do conceito de “sociedade” e “civismo”…

  5. acrisalves Says:

    Algumas dependências vêm por arrasto à natureza animal ou humana – como sejam o comer, respirar… Entretanto entra-se num ciclo… para comer precisamos de … para não ter frio precisamos de mais coisas… depois as nossas necessidades sociais fazem com que necessitemos de nos integrar (ou não) e dependendo da pessoa, isso leva à necessidade de comprar roupa específica para ser cool…

  6. psig Says:

    mindgap: Essa história exemplifica muito bem o que queria dizer. Mesmo que quisessemos fugir de tudo a sociedade não nos permite. E é ainda mais triste serem os jornalistas muitas vezes a desencadear esse tipo de atitudes… Ficamos a pensar até que ponto somos livres, se não temos a liberdade de fazer o que esse senhor decidiu fazer. Opções diferentes do “normal” da sociedade, são sempre vistas como não-opções.

    Obrigada pelo comentário e pela visita

  7. Charlotte_gray Says:

    Viver completamente isolados do mundo (ainda que, de alguma forma, conseguissemos ter as nossas necessidades “básicas” preenchidas) seria, no minimo, extremamente aborrecido. E, no limite, seria um pesadelo, parece-me. Hás-de reparar que mesmo essas necessidades de “luxo” de que falas (computador, telemóvel, até mesmo a televisão) só fazem sentido, isto é, só nos dão prazer na medida que possibilitam, de forma mais ou menos directa, mais ou menos intensa, um contacto com um outro. De contrário, não nos serviriam de nada, não haveria qualquer conforto ou alegria interiores. Daqui deduzo que “as pessoas” (da sua concepção mais particular à mais lata) são uma necessidade igualmente “básica” para nós.

    Como seres biológicos e sociais que somos é natural estarmos em contacto com o meio envolvente, estabelecendo trocas com ele. O isolamento seria anti-sobrivivência (repara que mesmo quando estás sozinha tens um mundo de pessoas, memórias, significados, expectativas, etc. dentro de ti). Qualquer que seja a opção de vida de cada um, penso que haverá sempre algum elo de continuidade com “alguém” (real ou imaginado). E assim também me parece que o conceito de “dependência” (relativamente aos outros) não tem conotação negativa, muito pelo contrário… é pela (inter)dependência que nós conseguimos ser autónomos, construir a nossa identidade (sozinhos? como?), etc.

    Isso da auto-suficiência total é uma treta😛 E se formos a ver, nenhum ser vivo é (completamente) auto-suficiente (pelo menos no plano biológico!)

    E mesmo que o pudessemos ser, que faríamos então? Como gastaríamos o nosso tempo? A vida seria uma seca.😛 Portanto, em última análise, seriamos sempre (e somos) dependentes do prazer obtido atravez das actividades que fazemos.

    (agora vou clicar em “submit comment” e vamos lá ver se isto aceita testamentos :D)

  8. psig Says:

    omg vejo o cunho da psicologia em cada uma das tuas palavras =D

    ehehehh

    A vida seria aborrecida realmente, seria como se nos tivessemos apagado. Estavamos vivos sem viver, simplesmente se pairava no vazio.

    E as pessoas funcionam mesmo como necessidade básica. Alias, como vemos, o isolamento é tão perigoso que está presente em quase todas as patologias..será o sinal da falta de preenchimento de uma das necessidades básicas?

    (não só aceita testamentos, como são muito bem-vindos =D)
    *

  9. Psicologicamente… » O Fantasma da Solidão Says:

    […] O ser humano não consegue viver só. Já o tinha referido a propósito das dependências. Mas hoje o assunto é um pouco diferente: o Amor como remédio da solidão. Se vendessem comprimentos anti-solidão, de certo que estes se chamariam amor (ou amoridona ou amoridal que os nomes vão variando consoante os mil e um fabricantes de genéricos e não genéricos) […]

  10. ssss Says:

    lol é dificil comentar uma coisa tão bem estruturada e fumentada,mas uma coisa só depende se nós lhe der-mos de comer…

  11. sfdgdf Says:

    dsfsdfsd sfgsf efgsf

  12. fdgsfdg Says:

    hi..good site..by..


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