Rosa, cor de morte?

Ouvira-se o aviso que uma estranha espécie de insectos invadira a cidade. Corria o boato que não tocássemos em qualquer insecto desconhecido. Seriam mais pesados que o normal, como se fossem feitos de puro aço. Eram altamente perigosos, podendo contaminar rapidamente toda a cidade com um vírus incurável.

 O pânico instalou-se, mas tentava levar a minha vida normal.

Preparava-me para um pouco de exercício, no pavilhão desportivo de uma das minhas escolas. Até que…

 Surgira uma borboleta cor-de-rosa, e outra, e mais outra, e outra…Seriam aqueles os tão perigosos insectos?

 Todos fugiram de imediato para uma espécie de cave do pavilhão. Segui-os, sem saber ao certo que tipo de perigo poderíamos ou não correr.

 Entrara num sub-mundo que não sabia existir…Da grande corrida para o refúgio, ficara-me uma única imagem registada na mente: uma enorme nuvem rosa, voando rapidamente na nossa direcção, tentado entrar antes que o grande portão de aço de fechasse…  

 Ali todos pareciam distantes. Percorri longos corredores, tentando perceber que sítio seria aquele. Os barulhos de embate de aço contra aço, enchiam os olhares de pânico. Não desistiam de tentar entrar…ainda conseguiriam, talvez.  

 Uma outra cidade se encontrava diante dos meus olhos. Pessoas infectadas, caídas pelos cantos, enquanto outros tentavam cuidar do que restava delas. Felizmente, o que quer que fosse o vírus, não se transmitia de humano para humano. Bastaria ficar longe das borboletas…

 Mas as pessoas eram estranhas, mais estranhas que qualquer perigo. Conflitos atrás de conflitos. Os mantimentos de certo seriam poucos, e as pessoas estavam dispostas a tudo para a sua própria sobrevivência: inclusive matar.

 Sem saber o que me fazia tirar tal conclusão, senti que nada daquilo era real. As borboletas seriam uma mera experiência para nos afastar do mundo. Sem saber quem o fez ou com que objectivos, resolvi fugir daquele estranho mundo maldito. Corri na direcção do grande portão, carregando no botão para que abrisse. Assim que se aperceberam de tal acto, correram para me parar, mas não foram a tempo..

 O portão abrira, as borboletas entraram, e muitos tentaram correr, fugindo para parte incerta…

 Corri até um café. Alguns bebiam e comiam como se nada fosse. Subindo umas pequenas escadas, observava-se uma espécie de aviário…Pareciam patos…mas uma estranha substância cor-de-rosa lhes saia do corpo.

 Eram inofensivos. E fora neles que as borboletas se haviam transformado… Matei eu alguém ao abrir tal portão? O que explicaria tudo isto? Perguntas que ficaram sem resposta e o sonho saltou para outro espaço, que descreverei no post seguinte…

 (noite de 26 de Agosto 2006)

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Do dente ao cérebro!

Tinha acabado de partir um dente incisivo…e logo eu, que tenho estes dentinhos de coelha. Que drama…isto têm de ficar bom, se não ficarei horrível. Corro para a minha dentista e peço-lhe ajuda. Felizmente ela depressa me diz que há solução e que o dente ficará melhor que nunca. Respiro aliviada, enquanto me sento na cadeira de dentista. Ela coloca-me uma espécie de pasta branca na boca.

 “Agora ficas aí um bocadinho enquanto isso seca, que eu já volto”

À medida que secava, sentia como se tivesse quatro grandes pastilhas elásticas a secar na boca, ainda por cima pastilhas que não sabiam bem…Pasta nojenta esta…e eu irritada por ali ficar assim. O tempo passava e ela nada. Lá voltara, horas depois, dizendo que era ideal aproveitar o reconstruir do dente, e desviavam-se os dentes um pouco para trás, deixando assim de ter os dentitos à coelha. A ideia agradou-me. No entanto, a dentista tinha de ir embora, dizendo que seria melhor voltar depois, quando lá tivesse o colega dela, que estava mais habituado a este tipo de reconstruções complexas. Lá sai da dentista irritada…

 “ah, mas fica com a pasta na boca…”

 Vou-me embora e fico com aquela nojeira na boca…Que bom! Estava mesmo irritada, mas lá voltei, que remédio.

O dentista mandara-me sentar na cadeira, e de imediato, abre-me o cérebro. Sim, isso mesmo, cortezinho pela testa, puxar a pele para trás, isto é, até ficar com os vermelhos miolos à vista. Era necessário…assim facilmente se puxaria, pelo cérebro, o maxilar….e, por sua vez, os dentes (rica teoria de sonho, esta).

 Entretanto uma jovem moça entra pelo consultório: “Vamos beber café?”

“Claro, vamos”.

 “Não acredito que se vai embora e me deixa aqui assim!” (sim, eu estava sentada na cadeira, de cérebro à vista, e perfeitamente lúcida. E neste momento, o dentista ia tomar café com a moça, e deixar-me ali assim)

 “Ah desculpa. Assim já não se vê” -> coloca-me um CHAPÉU! Assim já não se viam os miolos. E eu ali assim, novamente à espera…

   Entretanto um outro homem entra no consultório. Vinha-me violar, deixou ele bem claro…só faltava essa de facto. O homem deveria estar tão habituado a reacções de medo, que ficou impávido e sereno enquanto me via levantar irritada (de chapéu, tapando os miolos) e dirigir-me à porta.

 Do outro lado da porta, depois de a abrir, várias pessoas circulavam de um lado para o outro. Tirei o chapéu, mostrando os miolinhos, e gritei bem alto “ESTÁ AQUI UM HOMEM QUE ME QUER VIOLAR, E A MERDA DO DENTISTA DEIXOU-ME AQUI DE MIOLOS À VISTA”

 Claro que ninguém ajudou…reacções de pânico, foram as únicas reacções vistas..Cada vez mais irritada, desci até ao fundo da rua, onde se encontrava uma esquadra de policia. Coloquei novamente o chapéu, e falei com uma das agentes, para que me acompanhasse ao consultório para deter o homem que lá estava, e que me tentou violar…Ela assim o fez.

 De volta ao consultório, enquanto o homem, que surpreendentemente ainda lá estava, é detido, o dentista regressa.

 “Coza-me o raio da cabeça, que quero é ir embora, o dente fica mesmo assim, já não quero saber”.

(Sonho de 25 de Agosto 2006)

 

Saber para Ensinar: Para quê?

“O Sindicato Nacional dos Psicólogos (SNP) vai negociar, em Setembro, com o Ministério da Educação o reconhecimento da habilitação para a docência aos licenciados em Psicologia, actualmente impedidos de leccionar aquela disciplina no ensino secundário.”

Para que serve uma Licenciatura? Para nos tornarmos, de alguma forma, peritos numa determinada área, não será? Ora, se temos de procurar alguém que saiba de um assunto, é provável que procuremos por licenciados nesse assunto, certo? (Se não quisermos ir mais alto, procurando mestrados, ou doutorados, obviamente.) Se assim não fosse, penso que as licenciaturas, não serviriam de muito…

Neste ponto, e passando ao ensino, poderíamos então pensar…bem, mas ter uma Licenciatura não significa minimamente que se saiba ensinar. Como exemplo, vemos nitidamente professores por aí, que sabem imenso do assunto, mas são uns verdadeiros azelhas a ensinar, e ninguém fica a perceber nada do que tentam explicar. E se fossemos por aqui, estaria totalmente de acordo. Há pessoas sem jeito e sem formação para ensinar. Para isso também existem cursos de Formação de Formadores, que permitem ajudar as pessoas precisamente a isso: a ensinar. Esses sim, acho natural que sejam exigidos para que alguém com uma simples Licenciatura, se possa tornar professor.

No entanto…

Até agora, a disciplina de Psicologia do 12º ano, cujo exame nacional constitui prova de ingresso para vários cursos do ensino superior, é leccionada por profissionais de outras áreas, nomeadamente por licenciados em Filosofia, uma vez que o Ministério da Educação (ME) ainda não reconheceu aos psicólogos a necessária habilitação para a docência.”

Parece que Licenciados em Filosofia servem, e têm servido ao longo destes anos. Então reparo: a questão não é saber ou não ensinar. E perguntam vos: Então o que têm a mais os Licenciados em Filosofia do que os Licenciados em Psicologia para o ensino da Psicologia! (não, não é da Filosofia). Só se tiverem desemprego a mais, porque não vejo outra coisa… (surpreendentemente os de Psicologia também têm desemprego a mais, mas pelo menos sempre podem tentar outras áreas, como: dar consultas ou qualquer coisa assim)

Podemos ainda questionar-nos: Podem ter ficado simplesmente no esquecimento…

Segundo o sindicato, algumas escolas privadas contrataram psicólogos para leccionar a disciplina no ano lectivo que terminou em Junho, mas no final do primeiro período de aulas “foram obrigadas por despacho do ME a substituir esses professores por docentes com formação noutras áreas”. “Ao longo dos anos, o Ministério da Educação foi apresentando diversos pretextos para que a licenciatura em Psicologia não fosse reconhecida para a docência, nomeadamente o número de alunos reduzido, o facto de as faculdades não solicitarem o seu reconhecimento e a existência de muitos professores de outras áreas para colocar”, acusa o SNP.

Mas parece que não, não os querem mesmo lá… Mas pronto, vamos lá fazer um favorzinho, e daqui a uns anos meter a ensinar Psicologia, quem estudou Psicologia!

“Contactado pela Lusa, o ME não confirmou até ao momento a reunião agendada para 19 de Setembro. No entanto, mesmo que a tutela reconheça aos psicólogos habilitação para dar aulas, os mesmos só poderão vir a fazê-lo a partir de 2009, já que os resultados do concurso de colocação de professores realizado este ano são válidos até essa data.”

Artigo, datado de dia 9 deste mês, aqui

Psicologicamente Mal Ensinada…

A Incoerência é a mãe da Liberdade!

E estava eu muito bem, a providenciar o breve término do meu relatório de estágio, quando de repente esta frase me saltou do cérebro. (Pop-up cerebral)

 O que é a incoerência? É uma espécie de incerteza, o dizermos uma coisa num momento, e no momento seguinte dizermos outra coisa. O dizermos que sim com o olhar, e um “não” com a boca. Ora por aqui, podemos pensar: Será sinónimo de mentira? É uma possibilidade. Se não conseguimos manter a coerência em algo, porque mentimos acerca desse assunto, somos duplamente tolos: primeiro, porque mentimos, segundo, porque não sabemos mentir.

 Ora, já dizia o meu dicionário, que ser coerente é sinónimo de ter lógica. E se formos ilógicos? Se escolhermos ser totalmente ilógicos e fizermos coisas  coisas totalmente ilógicas? Provavelmente não somos livres o suficiente para tal… Estamos presos às amarras da sociedade que grita aos nossos ouvidos para que mantenhamos a coerência.

 No dia que possamos ser totalmente incoerentes seremos loucos. No dia que possamos ser totalmente incoerentes e com isso alcançarmos a nossa felicidade seremos livres. 

 Psicologicamente incoerente

Spoilers!

“Eh pa, tive a ler aquele livro. Muito fixe. No fim descobre-se que afinal era tudo um vírus!”
“Tás-me a spoilar!”
“O quê?”
“Acabaste de me spoilar…like… contar o fim do livro -__-“
“Ah mas não faz mal, o homem que descobre o vírus até morre…”

Ainda bem que eu não tinha intenções de ler o livro…

Há pessoas que não conseguem falar sobre um determinado livro, sem revelar partes importantes do mesmo.

E depois como nos sentimos a ler um livro para o qual já sabemos o seu fim? Ou partes importantes? Ou até aquela piada de génio lá no meio…

Conheço pessoas que odeiam visceralmente que alguém lhes desvende algo que ainda estão para ler…

Outros que até gostam de ler as últimas páginas dos livros antes de os começar… (mas calculo que sejam mais raros, estes últimos)

E como é com a adaptação de um livro ao cinema? Ver o filme primeiro? Ler o livro primeiro? Inevitavelmente um deles fica spoilado, mas há que fazer uma escolha…

E aí existem quatro tipos de pessoas:

1. Os adoradores de livros, que anseiam por criticar o realizador por cada bocadinho mal adaptado. – estes obviamente lêem primeiro o livro.

2. Os que nem são lá muito aficionados por ler, e que só fazem questão de perder umas horas da sua vida no livro, se acharem que o filme merece realmente a pena – estes obviamente vêem primeiro o filme.

3.Os que optam por só ler o livro, ou só ver o filme, porque não suportam mesmo ser spoilados!

4.Os que se estão a lixar para o assunto, e não querem saber nem de uma coisa nem de outra (pode ser sinal de extrema inteligencia, ou extrema falta dela: obviamente, depende do assunto!)

Psicologicamente spoilada…

O tempo e as horas, as horas e o tempo!

Cumprir prazos. Nem sempre é fácil o cumprimento de prazos que tantas vezes nos estabelecem ao longo da vida. E para tal, vamos tentando criar estratégias para que consigamos sempre acabar tudo em hora certa.

Ela começa a controlar a o tempo. Duas horas para isto, duas horas para aquilo. Sentava-se ao computador com hora certa de sair (até parecem os velhos tempos em que pagávamos a Internet à hora). “Oh não, já só tenho cinco minutos e ainda não acabei o que queria, já vou atrasar tudo”. E com atrasar tudo, refiro-me obviamente à leitura do seu livro e à escrita de umas palavras para o livro que ansiava escrever. Seriam mais duas horas para cada uma das actividades. Só assim conseguia matar os tempos mortos. Só assim conseguia… Mas até assim tinha dificuldade em cumprir os horários. Talvez um dia pense também nos horários para os intervalos. “Que cinco minutos desperdiçados na ida à casa de banho” (imaginemos que ficava lá meia hora!). E assim continua a sua corrida contra o tempo…”já passaram dez minutos da hora, desisto, ninguém consegue viver assim”.

“Odeio atrasos, odeio atrasos. Os dedos mexem à velocidade da luz (pena que não seja tanto). Nem desistir consigo. Os prazos, os prazos. Os prazos existem para serem cumpridos, sempre me ensinaram assim. Luto contra os prazos, o tempo, o tempo que passa depressa demais. O tempo que não pára. Desejo um botão que desligue o tempo. E agora, o que faço? Acabei. Estou atrasada. Corro daqui para outro canto. Fujo para a próxima tarefa. Salto no tempo e estarei sempre atrasada. Ansiedade. A ansiedade constante dos minutos que passam no relógio do canto inferior direito do ecrã. Eles não param. Eles vivem a sua corrida contra si próprios.

Porque um minuto morre, assim que um minuto passa. E assim outro nasce, até que chegue o próximo. Tenho pena da vida curta do segundo…

Psicologicamente condenada pelo tempo…

Suga-me!

sugus!sugus!

Suga-me, suga-me! Dizem-vos estes pedaços de doce. Sorriem para os que suguem. E não resistem, eu sei que não. Quantos de vós, após comer um, comeram outro e mais outro? Difícil parar?

 Não são pequeninos vícios?

E ainda são recordações de infância. Não vos provocam nostalgia? “Tanto que eu adorava isto, deixa-me lá comer um”. Mais nunca é um. Oh nãoo, nunca é um!

Nunca foi um…

 Psicologicamente sugada…