O Fantasma da Solidão

O ser humano não consegue viver só. Já o tinha referido a propósito das dependências. Mas hoje o assunto é um pouco diferente: o Amor como remédio da solidão. Se vendessem comprimentos anti-solidão, de certo que estes se chamariam amor (ou amoridona ou amoridal que os nomes vão variando consoante os mil e um fabricantes de genéricos e não genéricos)

E com isto quero eu dizer que o amor é uma droga? (É uma droga necessária e até agradável, como muitos dos medicamentos que nos aliviam as dores e nos salvam a vida) Mas também não era aí que pretendia chegar, visto esse caminho levar directamente ao caminho já mencionado das dependências.

Imaginemos um casal que se apaixona. Prometem amor eterno, vivendo o auge de um início de namoro quente e perfeito. Mas tanto um como o outro, já perto dos 30 anos de idade, antes de se conhecerem começavam já a sentir o peso nos ombros da solidão. “já estava em tempo de casares” – diziam as famílias de ambos; “qualquer dia já tens o primeiro filho velha de mais” – retorquia uma amiga. E assim o tempo ia passando e enquanto todos os amigos e colegas se iam casando nem parceiro eles conseguiam arranjar. Até que se conheceram…

E nesse momento tudo mudou. Passado o primeiro mês de namoro (de intenso namoro). “Pai, Mãe, vamos casar”! Claro, tudo estava bem, estava mais que na hora (velhos já eles se achavam) e só uma solução se encontrava: casar o mais rápido possível. Esperar para quê?

Casaram e foram felizes para sempre. (não, obviamente que não, acham que sim? Isto não é um romance cor-de-rosa!)

Passam dois meses após o casamento e começam a discutir diariamente. “Porque não fizeste aquilo e devias ter feito, porque fizeste o outro aquilo, e não devias ter feito, porque isto, porque aquilo…”(o que são estes aquilo’s todos? Nem eles sabiam, mas parecia que já bastava a respiração de um, para suscitar a discussão no outro). Começavam a chegar à conclusão que afinal não se conheciam assim tão bem…

E o que fazer?

Pois, se calhar….ter um filho! Neste auge de paz, sossego e amor, um filho pareceu-lhes a solução maravilha. Tradução: talvez isto nos una…

A gravidez traz alguma acalmia. Sorrisos e sorrisos por parte da família que finalmente vê o desejo de ter um netinho realizado, e tudo parece ter ficado mais coeso.

Mas como nem tudo o que parece é. Basta o nascimento para os conflitos acordarem. E porque ter um filho afinal dá muito mais trabalho do que se pensava…E porque as despesas aumentaram exponencialmente e agora já nem passear um pouco sozinhos podem. E ele que não ajuda…E ela que já não lhe liga a ele…

A vida diária torna-se um inferno, mas a separação também não parece uma boa hipótese: Afinal, acabaram de ser pais…

Talvez empurrando um pouco o miúdo para os avós e restante família os alivie um pouco. Seja como for, o infantário mete-o longe por metade do tempo (pena gastar-se um dinheirão com isso) e a televisão sempre começa a ocupá-lo em casa. (a ver porcarias que farão dele um adolescente deprimente).

Tudo isto porquê? Viver sozinho, não é solução. Há que agarrar a oportunidade de ter alguém o mais depressa possível, ainda assim não se “fique para tio/a” (caso se tenha irmãos, se não nem isso, claro). A sociedade leva-nos de imediato à ideia que numa determinada idade devemos casar, e que se depois de x anos ainda não tivermos filhos, é porque algo corre bastante mal na nossa vida…

Resultados após o final do jogo:
As crianças e adolescentes que temos (penso que não seja preciso grandes comentários quanto a isso).
O número de divórcios a aumentar exponencialmente
As depressões a proliferarem por ai…

Psicologicamente acompanhada…

12 Respostas to “O Fantasma da Solidão”

  1. acrisalves Says:

    Hum… não te esqueças do relógio biológico!!! basicamente existe uma altura (mais cedo para alguns) em que o relógio dispara e a pessoa pensa seriamente em ter filhos… (está semi-provado cientificamente)

    Mas sim, tenho visto muitos casais decidirem dar o nó após 6 meses de namoro, sem sequer terem vivido algum tempo juntos.

    Também não acho que o divórcio deva ser evitado por se ter filhos. E que os paizinhos deviam por o dedo na consciência e evitar aquelas estúpidas brigas que apenas prejudicam os miúdos. Conheço filhos de pais separados que são psicologicamente saudáveis. Simplesmente os pais não andaram À chapada judicial…

  2. Raquel Moniz Says:

    O problema é que toda a gente tem uma check list na cabeça:

    – Trabalho
    – casa
    – carro
    – casar
    – viajar
    – 1º filho

    E quando um dos “checks” falha… é a confusão, o horror… a tragédia! “Ai!!! Vou ficar para tia…” (ou tio, dependente do caso).
    E depois acontecem situações como as que descreveste e acrescento:
    As tentativas desesperadas de se agarrarem ao primeiro(a) que aparece e ao fim de uns dias perceberem que é mesmo… Desespero.
    Vejo isso todos os dias com amigas que já estão ou estão a chegar aos 30.
    Ou situações de “pressa” como descrevi num post recentemente. Está tudo na mentalidade.

    p.s. Excelente tema.

  3. Parvo Na Cadeira Says:

    O problema não é as pessoas terem uma checklist na cabeça, é sermos levados a pensar que a temos de ter. E se alguém não a tem é um freak da sociedade.

  4. Raquel Moniz Says:

    Sim, também tens razão. Acaba por ser algo imposto pela sociedade, pelo meio.

    O problema é, o que faremos com isso? ou em relação a esta check list.

  5. psig Says:

    Pelo menos que nos tentemos não preocupar muito com ela…levar a vida com calma, pensando no que se faz, sem “as pressas”..

    Mas acho que ela acaba por estar de certa forma dentro de nós..

  6. Raquel Moniz Says:

    Concordo contigo psi. Por mais que tentemos não pensar, ou a catalogoar de “dispensavel”… Está sempre dentro de nós.

  7. Pedro Miranda Says:

    point taken X_x

  8. Dunya Says:

    “O problema é, o que faremos com isso? ou em relação a esta check list.”

    Substituí-la pela nossa.
    A minha é completamente diferente🙂

    Starita – mas esta história é baseada num caso real ou apenas naquilo que vês todos os dias?

  9. psig Says:

    loooool apenas no que penso e se vê por ai =)

    não é nenhum caso especifico=P

  10. Divorcios Says:

    este me parece un excelente blog lleno todas las espectativas sigue escribiendo asi en hora buena

  11. luiz antonio ramalho matos Says:

    eu tenho 52 anos fui casado por 3 anos na minha juventude tive varias namoradas e hoje com essa idade estou sozinho naomtive filhos com nenhuma dessas mulheres as vezes e fico pensando onde foi que errei.sou um homen tranguilo,trbalhador e amigos de todos que me procurao e vivo so qual explicaçao pra isso sera o destino que nos reserva esse tipo de situação sera que erros en outras vidas passadas e agora estou pagando pelo erro e talvez seja isso.descupe por ler essas bobagens mas me deu vondade de falar talvez alguei que leia essas bobagens me dei uma opiniao o explique o motivo para essa situação me dei uma luz no fim do tunel.obrigado e seja feliz.

    • margaretedecicco Says:

      Dizem que estamos neste mundo para aprendermos algo….e que escolhemos qdo vamos entrar no nosso estado físico o que vamos passar aqui nesta vida e tbm qdo vamos deixá-lo, O caminho de todos nós aqui é que precisamos aprender certas atitudes enquanto estamos no estado fisico, caridade, esperença, fé, amor…todos nós precismos conhecer bem esses sentimentos. Talvez vc aqui não saberá o pq está passando tudo isso, mas se vc tentar ver dentro de vc o que lhe aflige e tentar lidar com essa aflição vc irá conseguir ficar em paz e aceitar o que acontece em sua vida. Qd começamos a nos compreender nosso eu …entendemos melhor o que acontece em nossa volta …até mesmo as pessoas.


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