Ontem, Hoje e Amanhã – Evolução Humana.

De tanto que por aqui se tem falado na juventude de hoje e no degredo sentido em algumas áreas da nossa sociedade, lembrei-me de um breve retrato das nossas gerações.

Tendo eu 23 anos, não será assim tão abrangente a minha ideia real (vivida) das várias gerações passadas. Centrar-me-ei assim, em três gerações.

Pensemos no tempo antigo. Para uns, descreverá melhor o tempo dos pais, para outros dos avós, ou, e tendo em conta estratos sociais diferentes, poderá somente corresponder a uma imagem de época, que sabemos ter existido.

– Crianças com poucos ou mais brinquedos, centram a sua vida em divertir-se o mais que podem, conciliando essa diversão com o respeito e auxilio aos país. São muitos os que começaram a trabalhar com os seus 14/15 anos, e que deste então levam uma vida dura de trabalho. Outros, mais abonados, estudaram um pouco mais, chegando uma pequena fatia destes a terminar um curso. Licenciados são tão poucos, que o emprego para esses é certo, no entanto, trabalho não falta para ninguém, o que varia, é a “leveza” do mesmo. A televisão, começa agora a existir, e como tal é o “fascínio” de muitos. Só existe um canal, de imagem a preto e branco, e todos se sentem felizes com a chegada da evolução. Nos tempos livres, trabalha-se no campo ou na costura, ou ajuda-se os pais com as suas tarefas. Recordam-se os tempos em que se brinca livremente nas ruas, sem que o perigo do trânsito seja significativo. Como depressa se fartam de trabalhar para si e para os pais, todos querem formar a sua vidinha e fugir aos “auxílios caseiros”. Os casamentos dão-se por volta dos 20-25 anos de idade, e filhos, surgem 1 ou 2 anos depois. E basta-nos recuar uns 50 anitos no tempo…

– As crianças começam a ter mais e mais brinquedos, e já não há ninguém que aos 10 anos não queira ter uma televisão no quarto. Brinca-se especialmente em casa, mas algumas ruas ainda são opção. Os jardins-de-infância começam a ser uma realidade, porque as mães deixam de estar em casa…no entanto ainda não é um facto totalmente generalizado. As crianças têm duas grandes preocupações: brincar e estudar. Em trabalho só têm de pensar dai a uns aninhos largos, quando acabarem um curso, ou pelo menos o 12º ano. Alguns preferem ficar pelo 9º, por opção própria e por não gostar dos livros, mas são raros os pais que não desejam que o seu filhinho querido vá mais além. Como em tudo, há crianças e crianças: há as que pedincham tudo e mais alguma coisa, mas que lá levam uns açoites de vez em quando, e há as mais quietinhas que ficam no seu canto sem grandes exigências. Há as mais faladoras e irrequietas que se portam menos bem nas aulas, e há as certinhas que só pensam nos estudos. Namoros e amores só começam a surgir nos pensamentos pelos 13-14 anos. Existe o verdadeiro conceito de inocência. Como todos querem tirar um curso, os jovens saem de casa cada vez mais tarde, cada vez mais é difícil encontrar empregos e comprar casas…Enfim, a realidade presente.

– E as crianças do presente vivem fascinadas com os seus próprios umbigos, dando um novo relevo ao chamado “egocentrismo da criança”. Exigem tudo dos pais, sem qualquer consciência da realidade. Não se pode dar muitas palmadas nos meninos, pois qualquer dia fazem queixa dos próprios país. (E estamos longe de falar em violência doméstica). As escolas são “máquinas de encher chouriços”. Que ajudem os meninos em casa, pois eles não são capazes de fazer nada por si próprios… A Floribella é a nova barbie, mas deixamos de pedir tecidos velhos para fazer vestidos para a boneca com as próprias mãos, para exigirmos tecidos das lojas, em forma de roupa de marca para nós próprios. E se não for mesmo de marca não presta… independentemente da carteira dos pais. Se for preciso empenhem-se todos, mas os meninos têm de ter tudo. Porque não há menino nenhum que não tenha um telemóvel, mesmo que ainda mal saiba escrever. (porque é preciso falar com a namorada!). Porque um leitor de mp3 é sempre uma boa prenda, mesmo que ainda se tenha 5 anos. Porque se todos têm, eu também tenho de ter. Se antes recebíamos o telemóvel aos 15 e o computador aos 18, o que daremos aos meninos de 18 de agora que até já carro têm?

Todos sabemos que a evolução tem os seus pontos positivos (e uns mesmo muito positivos. O que faríamos nós sem estes computadores, não é?) e os seus pontos negativos (onde estão certos valores?)…

No entanto… O que seremos daqui a 25 anos?

Psicologicamente especulativa…

14 Respostas to “Ontem, Hoje e Amanhã – Evolução Humana.”

  1. ParvoNaCadeira Says:

    Daqui a 25 anos espero ser um grande empresário com muita mão-de-obra barata e sem educação. E aí os idiotas que agora andam na escola armados em basofes e com a mania que mandam em tudo vão ter que esfolar o rabinho p’ra ter comer à mesa.

    Ninguém os manda ser burros, mas se são é de se aproveitar. ^^

  2. ParvoNaCadeira Says:

    P.S.: É um problema cíclico, daqui a uns anos, os filhos das crianças de agora vão-se esforçar mais para não serem a merda sem estudos que os pais são.

    (Quero notar apenas que certas pessoas sem estudos são mais qualificadas que outras pessoas que estudaram porque “tinha de ser”, a frase acima é uma generalização e não deve ser tomada como absoluta para todos os casos, depende da situação e das possibilidades de cada um)

  3. Cinel Says:

    Quanto a mim a evolução parece um mero formalismo🙂
    passo a explicar:
    O final do século XX, como no fim do século anterior, é marcado por impasses e perplexidades. A tônica das reflexões gira em torno da mudança em todos os níveis sociais. A sociedade parece viver, em escala global e mais do que nunca, uma série de profundas e inéditas transformações. Cabe a reflexão, no entanto, de que a destruição do passado, isto é, a destruição dos mecanismos sociais que vinculam nossa experiência pessoal à das gerações passadas, tem sido uma característica neste final de século XX.
    Assim sendo, as transformações operadas durante este século podem ser melhor compreendidas numa visão histórica =), comparando-se qualitativamente a sociedade do seu início com a da última década.
    Como nos outros casos, claro, dentro de mais alguns milênios este novo “salto evolutivo” estará geneticamente incorporado aos seres humanos que passarão a ser – todos – dotados de Consciência , já na infância =). Uma visão ou perspectiva, no mínimo otimista, e esperançosa, e todos precisamos, de uma boa dose de otimismo, e de esperança nos dias que correm.
    A consciência iluminada raramente comete erros conscientes =) ou demonstra não ter quaisquer defeitos, na dimensão moral, especificamente falando,🙂 como por exemplo: O ParvoNaCadeira ou o Cinel =). Não quero dizer que isto seja amigo dele mas sim “Rival” =).
    Por Enquanto, é apenas, um mero formalismo, como eu o haveria dito, no inicio do meu tópico xD🙂
    Quanto aos demais isso já não sei😦 .
    End Of Pe

  4. acrisalves Says:

    Bem, na primeira geração posso incluir os meus pais… mas o meu pai saiu de casa aos 10 da beira para lisboa e começou a trabalhar sozinho por cá com essa idade. A minha mãe já teve uma educação diferente, e já pode estudar até mais tarde – talvez por não ser portuguesa…

    Bem, mas realmente mete-me alguma impressão ver criancinhas com 5 anitos com um telemovel na mão e que pensam que as coisas caem do ceu. É so pedir e aparece no quarto, novo, impecável, sem esforço. Palmadas educativas já não existem, propaga-se a má educação das criancinhas que coitadinhas, não sabem falar direito e não se sabem comportar em lado nenhum. Tudo é facilitado, e tudo o que não conseguem fazer ou compreender deve desaparecer para não ficarem frustadas.

    O que? somar é dificil? então que tal retirar as contas do programa e fornecer máquina de calcular aos meninos? Já agora, só se ensina mesmo a carregar no +, já que multiplicar é um conceito muito difícil….

    Bah!

  5. fontez Says:

    Post muito bom e blog fantastico.
    Visitarei mais vezes concerteza.
    Boa escrita sim!😉

  6. Ricardo Miguel Pina Says:

    Na experiência de vida que estes poucos 24 anos me ensinaram aprendi duas lições valiosas: todo o esforço vem da necessidade, e a conquista é proporcionalmente saborosa ao esforço que se empregou na sua prossecução.
    Quando falo de necessidade falo da falta, do não ter. Todos temos necessidade de algumas coisas, mas ninguém se esforça por ter algo se esse algo lhe vier ter de mão beijada. Com as crianças de hoje, na minha opinião, leva-se demasiadas vezes Maomé à montanha e pouco se ensina Maomé a subi-la… Ou, se preferirem, dá-se demasiadas vezes o peixe e não se ensina a pescar.
    Não critico as crianças. Se eu pudesse ficar sentado à espera que aquilo que desejo me chegasse à mão também o faria. Critico, sim, os pais e os educadores, que não educam os seus filhos para a necessidade e para lutar por aquilo que desejam. Hoje em dia é «obrigatório» ter msn, leitor de mp3, hi5, telemóvel topo de gama e sair com os amigos ao cinema porque «eles também vão»… As crianças e os jovens fazem ver aos pais esta «obrigatoriedade» de ter, e os pais, na melhor das intenções, satifazem todos os caprichos dos filhos porque apenas os querem ver felizes… A intenção é óptima, mas acho as consequências péssimas.
    Não quero com isto dizer que devemos submeter os nossos filhos apenas a privações. Longe disso. Acredito é que a melhor educação é aquela que privilegia a força de vontade, o esforço e o «merecer». Só assim a criança desenvolverá um sentido realista e pró-activo em relação à vida – os nossos pais podem dar-nos tudo, mas a vida apenas nos trará aquilo pelo qual nos empenhamos arduamente.
    Como no livro de Bruno Bettelheim, «Só Amor Não Basta»…

  7. Cátia Says:

    Bem, eu sou da nova geração, mas sempre tive que “esfolar o cu” por aquilo que queria. Ou seja, quando queria alguma coisa os meus pais não ma davam de mão beijada, eu tinha que me esforçar por ela.

    Aliás, apesar de eu ainda estudar, fui trabalhar o mÊs de Dezembro, (chegando a trabalhar 12 horas!) para poder ter algum dinheiro.

    Mas ainda bem que os meus pais são assim… assim, aprendi a ter uma maior responsabilidades pelas minhas coisas e também aprendi a dar valor ao trabalho.

    Além disso… Quem gosta de crianças mimadas, que fazem birra só porque o papá decidiu não lhe comprar um Noddy? (se fosse eu levava uma palmada…)

  8. Luís Says:

    Um regresso de férias, da minha parte. Porque tu não brincas em serviço…

  9. Psicologicamente... Says:

    Acrisalves: A educação nas escolas, em muitos casos, “já não é o que era”. Os miudos vêm para casa com trabalho que não fazem a minima como se faz (porque as aulas deviam servir para os ensinar, mas parece que não…). As vezes até parece que a qualidade deixou de ser preocupação…

    fontez: obrigada pela visita e pelo comentário =)

    Ricardo: Exacto, por vezes também parece dificil para os pais, separar o que é “fazer os filhos felizes” com o “satisfazer os caprichos todos”. É sempre a questão do: se não dão as coisas, depois os colegas dos miudos todos têm, e estes sentem-se inferiorizados… well.. De qualquer maneira há coisas que são mesmo um exagero para miudos tão pequenos, e eles têm de começar a compreender que há coisas que mesmo que se queira, não se pode ter, para que depois valorizem esse tal esforço que é necessario para se adquirir as coisas.

    Cátia: Há-de ser haver exemplos positivos em todas as gerações, felizmente! No entanto, cada vez mais, nos miudos mais pequenos (e digo mesmo, 4-8 anos de idade) se vêem mais exemplos das satisfação dos caprichos todos…

    Luís: ora… é o que faz não ter mais que fazer =S

  10. Juana Says:

    esta canalha de hoje em dia, desta geração novita, de seus 4 e 5 anos e com telemoveis melhores do que eu alguma vez tive (sou da geração intermédia) e com computador já portátil dado pelos paizinhos por ter tirado um suficiente a estudo do meio??? bah…não me posso queixar, nunca os meus pais me faltaram com coisas importantes, mas também nunca exageraram nas ‘mimalhices’. E bem.
    Hoje em dia dá-se demasiado às criancinhas.
    Principalmente gastam-se balúrdios em Floribellas com CD e sem CD só porque as meninas querem ser todas umas sonsinhas como ela.
    Enfim.
    *sempre sincera*

  11. Psicologicamente… Encontrar o Amor Perfeito - Teorias « Says:

    […] não quero falar sobre diferenças temporais, que para tal efeito, já serviu isto. Independentemente de quando descobrimos que achamos uma piada especial aos membros do sexo oposto […]

  12. hp Says:

    Daqui a 25 anos?

    Bem como alguém disse, o futuro está aberto!😉

    Talvez nos rebentemos, talvez a malta deixe de aprender a ler e escrever, porque afinal, para que serve essa pôrra, quando os computadores lêem e falam connosco?
    Ou talvez a malta passe a ter chips incorporados para nos fazer as contas todas “de cabeça”.

    Ah! As delícias da ficção científica!😀

    Tenho pena que a minha filha não possa crescer como eu, a subir montes e a ficar na rua até tarde e a preocupação dos meus pais seria que eu chegasse a casa todo porco, ou me magoasse com as brincadeiras.

    E nem sequer cresci no “campo”, sou dos arredores de Lx.😦

  13. kaio Says:

    va da o cu bem redondinho


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