Os que costumam acompanhar este blog, já devem ter reparado, que esporadicamente vou falando de um outro filme. Hoje, chegou a vez de El Laberinto del Fauno. O filme, do realizador mexicano Guillermo del Toro, venceu o 27º Fantasporto – Festival Internacional de Cinema do Porto, ao ganhar o prémio para o Melhor Filme da secção oficial Cinema Fantástico, e ganhou, há uma semana, Óscares de Melhor Direcção Artística, Fotografia e Caracterização.
Confesso que é a primeira vez que me desloco ao cinema, para visualizar um filme falado em Espanhol. Tendo em conta o maior hábito dos portugueses em ver filmes na língua inglesa/americana, por vezes as diferentes línguas provocam-nos alguma estranheza inicial. Esta é uma estranheza que rapidamente se dissolve, neste filme. Rapidamente nos deixamos levar pela história, entrando no ambiente de rescaldo de guerra e de fantasia que o filme nos proporciona.
Caracterizaria este filme, como um conto de fadas para adultos. Por vezes, torna-se difícil criar um conto de fadas, que não caia na infantilidade e no excesso de irrealismo. Aqui, podemos considerar duas realidades paralelas: o mundo de fantasia de Ofélia, a criança (personagem) central, e o mundo dos adultos, num ambiente cruel de guerra. Assim, estamos perante um filme que nos mistura personagens mágicas, com as imagens violentas de um pós-guerra: realidade cruel vs ficção maravilha, ou guerra vs esperança?
Toda a dualidade é facilmente ligada a duas das personagens centrais: Ofélia, dando-nos a imagem de esperança e pureza de quem acredita num mundo de fadas. E Capitán Vidal, seu padrasto: cruel e implacável. Como joguete entre ambos, vemos a mãe de Ofélia, que tenta a todo o custo balançar os dois mundos, tentando chamar Ofélia “à terra”, para que agrade o seu padrasto. E por fim, Mercedes, uma mulher do povo tentando repor a justiça do “mundo real”.
Será a fantasia um mundo real alternativo, ou existirá somente na mente de uma criança atormentada pela verdadeira realidade?
Não colocaria este filme, na lista dos meus “favoritos”, mas é sem dúvida um bom filme a ver.
Psicologicamente Fauna…