Acordo ou Palhaçada Ortográfica? – Rescaldo do Prós e Contras

Pois é, o assunto já corre há anos, muito já foi dito por blogs, jornais e jornalitos, mas não consigo deixar de vir dar a minha opinião. Ontem, ao ver o programa Prós e Contras na RTP1 fiquei com ainda mais vontade de dizer algumas coisas, e comentar outras…

Do lado a favor do acordo Carlos Reis e Lídia Jorge. Do outro, Vasco Graça Moura e Alzira Seixo.

E antes de mais convém deixar a minha posição: completamente contra este acordo.

Podem ver os seus contornos aqui.

Não sejamos acusados de falar sem conhecimento de causa.

As 10 alterações mais salientes:

1. Eliminação do c e do p, em palavras como: ação, acionar, afetivo, aflição, aflito, ato, coleção, coletivo, direção, diretor, exato, objeção; adoção, adotar, batizar, Egito, ótimo.

2. Colocação do c e do p como “facultativos” em palavras como: aspecto e aspeto, cacto e cato, caracteres e carate­res, dicção e dição; facto e fato, sector e setor, ceptro e cetro, concepção e conceção, corrupto e corruto, recepção e receção

3. Quando, nas sequências interiores mpc, mpç e mpt se eliminar o p de acordo com o determinado nos parágrafos precedentes, o m passa a n, escrevendo-se, respetivamente, nc, nç e nt: assumpcionista e assuncionista; assumpção e assunção; assumptível e assuntível; peremptório e perentório, sumptuoso e suntuoso, sumptuosidade e suntuosidade.

4. É facultativo assinalar com acento agudo as formas verbais de pretérito per­feito do indicativo, do tipo amámos, louvámos, para as distinguir das correspondentes formas do presente do indicativo (amamos, louvamos), já que o timbre da vogal tónica/tônica é aberto naquele caso em certas variantes do português.

5. Prescinde-se de acento circunflexo em: creem deem (conj.), descreem, desdeem (conj.), leem, preveem, redeem (conj.), releem, reveem, tresleem, veem.

6. Deixam de se distinguir pelo acento gráfico (prescinde-se dele mais uma vez): Pára (de parar) e para (preposição), etc.

7. Levam acento agudo ou acento circunflexo, conforme o seu timbre é, respetivamente, aberto ou fechado nas pronúncias cultas da língua: académico/acadêmico, anatómico/anatômico, cénico/cênico, cómodo/cômodo, fenómeno/ fenômeno, género/gênero, topónimo/topônimo; Amazónia/Amazônia, António/Antônio, blasfémia/blasfêmia, fémea/fêmea, gémeo/gêmeo, génio/gênio, ténue/tênue.

8. Retira-se o hífen em locuções como: cão de guarda, fim de semana, sala de jantar, cor de açafrão, cor de café com leite, cor de vinho, etc

9. Deixa de se empregar o hífen em palavras como: antirreligioso, antissemita, contrarregra, contrassenha, cosseno, extrarregular, infrassom, minissaia, tal como hiorritmo, hiossatélite. eletrossiderurgia, microssistema, microrradiografia.

10. Não se emprega o hífen nas ligações da preposição de às formas monossilábicas do presente do indicativo do verbo haver: hei de, hás de, hão de, etc.

Vamos então pensar: Para que serve este acordo?

Segundo os senhores que são a favor do mesmo, serve para:

(e isto foram argumentos utilizados ontem no debate)

Uniformizar a Língua Portuguesa: Como todos sabemos, os Brasileiros, bem como os Africanos de Língua oficial portuguesa, apresentam na sua forma de falar e escrever algumas diferenças e peculiaridades em relação a nós, Portugueses. Convém, quanto a mim salientar, que a diferença entre as variantes da língua, não se resume à ortografia. Como exemplos? O uso do gerúndio, o uso de palavras diferentes (todos se lembram do anúncio pimbolim é matraquilho!). Portanto, a Língua Portuguesa não vai ficar igual em todo o lado. As Variantes continuarão a existir. Aliás, quando falam, como no ponto 7 referido acima, que determinada nova regra é facultativa consoante as pronúncia, não estamos a uniformizar nada, estamos simplesmente a dizer que uma coisa tanto assim como assado, está correcta. Isto não é uniformizar, é desregrar. É dizer que com tanta coisa “facultativa” vamos deixar de saber o que está certo ou errado. Bem basta vermos por ai tanta atrocidade à nossa língua, com erros ortográficos. Assim deixamos de saber o que é erro ou não… ou melhor, nada é erro, portanto temos de nos preocupar menos ainda em escrever correctamente. Parece-vos que isto é uniformizar a língua, em prol de um bem comum? A mim não.

Aproximar os povos: Em seguimento do ponto anterior, tudo isto do acordo tem servido para dizer que esta é uma forma de nos aproximar dos outros povos que falam o Português. Não haveria outras provas de “não racismo” que pudessem ser dadas, ao invés do “vamos deturpar a nossa própria língua, para que não digam que somos racistas?”. É que sinceramente, o argumento do racismo não tem absolutamente nada a ver com isto, como o sr. Carlos Reis ontem se fartou de dizer. É legitimo que o povo Brasileiro, tanto como o Africano, tenham adaptado a língua que usam (o Português), às suas raízes e cultura. Acho que todos nossos reconhecemos que há diferenças (e quanto a mim significativas), mas também todos reconhecemos que não é por elas, que nos deixamos de entender uns com os outros. A língua é a mesma, mas são variantes diferentes. Não estamos a deturpar a cultura, tanto a nossa, como a deles, ao tentar fazer alterações que não levam a nada?

Dar um maior reconhecimento à Lingua Portuguesa: Mas vai ser mais reconhecida porque deixamos de usar os c’s e os p’s e outros que tais? Vão existir várias variantes, como existiam antes. Vamos todos falar português, como falávamos antes. Não percebo o propósito, a mim parece-me uma utopia, que estas alterações façam com a língua seja mais ou menos reconhecida do que é agora.

Simplificar a língua: Sim, isto foi usado como argumento ontem no debate. “Como há muitos analfabetos, assim seria mais fácil para aprenderem” – segundo novamente, o senhor Carlos Reis. Tal como alguns linguistas bem lhe responderam: não, não serve para simplificar nada. As pessoas aprendem da forma que lhes for ensinado, estas alterações não são de forma alguma facilitadoras da aquisição da linguagem. Não será precisamente o contrário, até? As duas por três, com as alterações, as pessoas até deixam de saber “afinal, qual é a forma correcta de escrever isto e aquilo?”. Com tanta coisa “facultativa” a resposta deve ser: é como vos apetecer. Ok, diminuímos os erros, porque diminuímos as regras. Isto é? Estupidificar as pessoas?

Então se todos os argumentos para este acordo são, quanto a mim, grandes falácias, que se tiverem algum verdadeiro objectivo, é puramente político, para que vamos alterar, aquela que é a nossa língua?

Passemos, por fim, que este post já vai longo, a analisar alguns dos pontos de alteração acima referidos.

Quanto aos “facultativos” já disse o que tinha a dizer….

Ponto 1: Eu, pessoalmente, odeio as palavras assim. Acho que apesar de o c e o do serem “surdos”, eles têm uma função nas palavras. E se em algumas pode não fazer tanta diferença, noutras faz, especialmente na forma como a palavra passa a ser pronunciada. Ok, podem sempre usar o argumento de ontem: “mas lembramo-nos de como são agora pronunciadas, não vamos passar a pronunciar de forma diferente”. Então em vez de mantermos a forma como as coisas são escritas (a correcta) vamos memorizar isso, para não passarmos a pronunciar em erro. Faz sentido?

Ponto 4: Novamente, segundo o senhor Carlos Reis (sim, porque este senhor disse coisas magnificas ontem), esta alteração na acentuação é simplesmente um caso de “contextualização”. Basta-nos contextualizar a palavra, para saber em que tempo verbal ela se encontra, segundo ele. É verdade que algumas palavras (chamadas homógrafas), já tinham esta peculiaridade: de se escreverem da mesma forma, mas terem pronuncia e significados diferentes (colher o trigo, comer com a colher). Então, mas…não íamos simplificar a língua? Ah Afinal não, afinal vamos arranjar é mais palavras iguais, que precisem de contextualização.

“Nós amamos a vida”; à Presente ou Passado? É que se ainda amamos é óptimo, se amámos isto pode ser a última frase deixada por um grupo que acabou de cometer suicídio colectivo. Não parece que se tire assim tão bem pelo contexto… E muito menos me parece que se deva estragar desta maneira a nossa gramática. Os tempos verbais existem para alguma coisa, credo.

Ponto 10 – E vamos mais uma vez estragar a nossa gramática, neste caso o verbo haver.

Bem, fico-me por aqui. Sei que este será um post que suscitará polémica, mas a minha opinião não será por isso alterada. Cada um tem direito a pensar pela sua cabeça, e se esta mudança a mim me faz muita confusão, porque não acho que faça qualquer sentido, talvez haja a quem não faça confusão nenhuma. Provavelmente, estes chamar-me-ão de nacionalista, ou algo do género. Eu continuo a achar que uma alteração deve ser feita quando há motivos para que esta seja feita. Aqui não encontro motivos válidos.

Hi5 ou Catálogo Humano? -(Novamente? Sim, são 1000 euros)

O Custódio, autor do blog Oportunidades de Dinheiro está a promover um concurso que nos permitirá, a nós bloggers, ganhar 1000 euros! E o que é preciso para tal? Simplesmente, pegar num dos vossos posts antigos, ou escrever um novo, e participar com ele. Fácil, não é? A perder, nada se tem, e para o Custódio esta é uma forma de publicitar ainda mais o seu blog, e consequentemente, aumentar os seus lucros (não fosse o tema do seu blog: como ganhar dinheiro na Internet).

Como tal, volto aqui a publicar este meu post acerca do hi5. E porque escolhi este post? Porque foi dos primeiros posts deste blog a atingir um grande número de views.

“Olhava eu brevemente para as tags do wordpress tentando perceber se muito já se tinha escrito sobre isto, e encontro este blog. (link actualmente obsoleto, que se referia a um blog semelhante ao hi5-porcas, onde eram expostas e comentadas (depreciativamente) as fotos que algumas raparigas colocavam nos seus hi5)

Começando pelo hi5: Para que serve? O que é? Quem o tem? Porque se registaram?

Inicialmente penso que muitos se registaram simplesmente pelo spam recebido através do registo dos amigos. “Ora…não tenho mais nada que fazer, porque não ir para lá também?”E assim começou uma grande saga!

Das pessoas que conhecem, que tenham Internet, que percentagem tem hi5? Digamos 90%… E basicamente, o que acontece lá? Procuram-se pessoas. Que pessoas? Aí está o busílis da questão, e aproveito aqui para dizer o que considero ser o único ponto positivo do hi5: encontrar velhos amigos. Pessoas com as quais havíamos perdido o contacto, que não víamos há anos, e ali nos surgem, diante dos nossos olhos, iguais ou diferentes daquilo que eram antes.

E fora isso, para que serve? Para exibicionismos e voyeurismos é genial! Uns procuram as fotos em que se consideram mais “apetecíveis” e as distribuem para olhares alheios, outros procuram incessantemente as melhores fotos para se divertirem no sossego do seu lar (óptimo para masturbação, portanto). E passando à segunda fase: o engate. Barato, com mais ou menos requinte, com melhor ou pior vocabulário (sendo este ultimo o mais comum), exemplos não faltam, e as tentativas de encontrar alguém que dê resposta proliferam.

Será este um dos melhores exemplos da fraqueza humana? Necessidade imensa de encontrar alguém, o não suportar estar sozinho? (e aqueles que nem estão sozinhos e também o fazem? O que serão?). Será somente uma nova forma de erotismo? (para não lhe chamar pornografia).

Passemos ao blog: Pelo que percebi, trata-se da exploração deste lado negro humano espelhado no hi5. Será recriminável explorar as fotos de jovens que inocentemente se registaram no hi5? Gozar com corpos menos perfeitos, porque tiveram também eles a coragem de se mostrar? Um misto dos objectivos do próprio hi5 com humor depreciativo.

Ou será louvável, por nos chamar a atenção de um local que se tornou simplesmente um catálogo de corpos humanos?

A verdade, é que são muitos os que por lá passam, tal como são muitos o que se encontram no hi5. Bom, mau? Não sei… deixo ao vosso critério.

Psicologicamente Catalogados…”

 

Dos posts enviados serão escolhidos alguns, para irem a votos… Participem e Boa Sorte.

 

Psicologicamente Participativa..

 

 

Call Center

Ora olá a todos.

Call Centers. Quantos de nós, não experimentámos já trabalhar num? É verdade, com o desemprego no seu auge, os call centers conseguem ser dos tipos de trabalho que mais rapidamente se conseguem encontrar. São temporários (e por vezes, bastante temporários), mas apresentam-se como uma boa opção para quem quer não estar parado enquanto espera por algo melhor, ou até para quem deseja ter um part time para conciliar com outra actividade.

Ora existem dois tipos de Call Centers: Inbound e Outbound, tal como o nome indíca, os primeiros servem para receber chamadas telefónicas (ex. apoio ao cliente), os segundos para realizar chamadas telefónicas (ex. telemarketing). Venho falar-nos dos segundos.

Quantas vezes nos ligam para casa, para isto ou para aquilo? Quantas vezes dizemos “não estou interessado” e desligamos? Isto era um pouco o que vos falava quando mencionei o Quem vos Toca a Campainha?

Não deixa de ter piada, ter-vos falado de uma perspectiva, e agora, ter tido uma visão mais clara do que acontece do outro lado. Metendo de parte as intrujices e a difusão de crenças religiosas (sinónimos?), pensemos em quem tenta vender algo por telefone.

Ponto 1 – É difícil alguém comprar algo por telefone. Porquê? Porque nunca se sabe ao certo quem está do outro lado da linha, e como há intrujices por ai, é natural que haja receios e desconfianças.

Ponto 2 – Há que tentar realçar as vantagens do produto (como em qualquer venda). A questão é que para muitas pessoas esse produto não traz nenhuma vantagem. Tomemos o exemplo da mudança de operador telefónico. (ou porque se têm Internet associada à linha, e dai não é vantajoso cortar a dita cuja, ou porque se tem tarifários mais baratos, etc, etc). Se claramente se percebe que o produto não é vantajoso para o cliente, o que fazer? Tentar Impingir ou passar ao próximo?

A grande dificuldade está realmente em encontrar um meio-termo entre a persistência típica de um bom vendedor, e a teimosia típica de alguém que está desesperado em vender independentemente da receptividade do cliente.

E se não se consegue vender “bastante”? Não se serve para aquele serviço, dai a grande rotatividade dos serviços em questão.

Não deixa de ter a sua piada olhar as coisas do outro prisma…

Psicologicamente usando as mais variadas formas de marketing.

Maddie – Anjo ou Demónio?

Maddie… Penso que não haverá jornal, revista, blog, televisão, que não tenha ainda dedicado uns minutos do seu tempo (horas, dias…) a informar-nos, a especular, a falar sobre o caso Maddie. Não é que goste de seguir a maré, mas de facto se há casos que nos deixam com vontade de opinar, este é um deles.

Facto 1: Desapareceu uma criança.

Especulação 1: Morreu uma criança? Foi raptada uma criança? Pedofilia? Resgate?

A hipótese de rapto com objectivo de pedido de resgate, facilmente foi colocada de parte (porque ninguém pediu um resgate!). Provavelmente, o que poderia ter acontecido, seria um atraso crucial no pedido do dito resgate, e quando os supostos raptores o pretenderam fazer, o caso estava de tal forma publicitado, que seria demasiado arriscado seguir com o plano em diante. Isto foi o que pensei nesta altura, quando coloquei esta hipótese. E nesse caso, todo o mediatismo poderia ter sido o responsável pela morte da criança (não seria esta a forma mais simples de se livrarem do peso de terem raptado a Maddie? Se não se podia arriscar mais, tornava-se premente livrarem-se da criança, antes que alguém a encontrasse com eles).

Facto 2: O caso sempre teve uma grande estranheza. Havia mais do que se estava a contar. O que estaria por detrás do caso Maddie?

Especulação 2: Confesso que sempre achei que algo não estava bem contado. O mediatismo exacerbado, os grandes fundos que os pais da criança estavam a conseguir adquirir (eu perguntava-me porque davam as pessoas tanto dinheiro, sem saber ao certo o destino que esse dinheiro iria ter. Cheguei a especular que o casal estaria a passear pelos vários países à custa desse dinheiro, que, poderia estar-lhes somente a servir para realizar um sonho de passeio e mediatismo. Não estariam os pais de alguma forma envolvidos no desaparecimento e a aproveitar-se das pessoas, que inocentemente e de boa vontade, os tentavam ajudar?). Bem, mas o caso “Joana” também teve bastante mediatismo, se é que se lembram dele (a menina que supostamente se transformou em alimento para porcos, sabem?).

OK. Tratavam-se de ingleses. Isto trazia por si só, alguma diferença na forma como o caso ia sendo investigado. Se se tratassem de portugueses não teriam sido imediatamente acusados de negligência por deixarem as crianças sozinhas? Não seriam de imediato tomadas medidas para que lhes fosse retirada (ou pelo menos investigada) a guarda dos gémeos? Talvez sim, talvez não.

Ok. Tratavam-se de pessoas com posses e com base cultural (médicos?). Se fosse um qualquer “pé rapado” a perder a filha, não teria meios de mover meio mundo em sua busca. Com certeza se lembram da mãe do Rui Pedro (a criança que desapareceu já há uns largos anos e que supostamente fora levado para uma rede de pedofilia). A senhora não teve um terço dos apoios que deram ao casal McCann, a senhora gastou tudo o que tinha e não tinha na busca desesperada pelo filho e os resultados foram nulos, pois ninguém mexeu uma palha para as investigações necessárias. (ah e esta não teve, de certo, a sua própria mão envolvida no desaparecimento do filho. Quando aos McCann, nunca tive essa certeza. Ainda ninguém a tem).

O ar frio e compenetrado com que sempre se mostraram aos meios de comunicação social (as lágrimas não me convenceram, sinceramente). Os discursos previamente pensados e lidos em papel. São questões a pensar… Há que salientar que os ingleses vivem numa cultura diferente, são talvez mais controlados, e isso explique a sua postura. Mas….

Facto 3 – É quase certo que a menina está morta.

Especulação 3 – Não podemos dizer que os pais são ou não culpados. Ou pelo menos (e espero eu) AINDA não o podemos dizer. Mas uma coisa é certa…. Ou são, ou não são culpados.

Hipótese 1: inocência.

Aqui, estamos perante um casal que perdeu a própria filha. Um casal que sofre porque perdeu a sua menina. Um casal que quer que ela volte para eles. Um casal que não sabe se a própria menina está viva ou morta. De repente, esse mesmo casal começa a ser acusado de ter morto a própria filha. Interrogatórios atrás de interrogatórios. Notícias atrás de notícias. Olhos que os observam acusando-os de assassinos sanguinários. A hipótese de perder também os outros filhos…os que lhes restam.

Sinceramente, pensar nesta hipótese, é-me mais terrível, do que imaginar que eles a mataram…. Se assim for, e se for provado que estão inocentes, de certo serão inundados de pedidos de desculpas e indemnizações pelo mal causado.

Por mais que seja má, consigo preferir a segunda hipótese: (De morta ela não passa, resta saber como foi…)

Hipótese 2: Culpa

Eles de facto tiveram culpa na morta da menina. E provavelmente irão pagar por isso.. (se o fizeram, esperemos que paguem). Resta aqui, saber o motivo…

Negligência? Terá sido uma morte acidental, com posterior oclusão de cadáver?

Terá a menina demonstrado estranhos comportamentos, interpretados pelos pais como demoníacos? (aquela marca especial no olho é digna de um bom filme de terror, não digam que não… todos conhecemos as crianças dos filmes de terror). E aí a solução seria a morte, os pais teriam de livrar-se daquele pequeno demónio perigoso…

Ou…um acto de loucura? (Temos o belo exemplo da senhora de Viseu, que pegou na faca eléctrica e resolveu dar cabo dos filhotes e dela própria).

Facto 4: Os Cães da polícia inglesa são espectaculares. (Os cães…nas questões policia inglesa vs policia portuguesa não me pronuncio).

Psicologicamente Detective.

Casamentos e Divórcios!

Já há uns tempos, que me falaram em fazer um post acerca da questão do divórcio. Chegou o dia.

As relações que efectuamos uns com os outros são uma das questões centrais na vida dos seres humanos. As relações de parentesco, sempre presentes desde que nascemos até à nossa morte; as relações de amizade, de trabalho, de amor… Somos seres sociais, e como tal, estamos destinados a viver em convivência. Sendo as “relações” uma parte tão importante de nós, retiramos vantagens se nos conseguirmos relacionar de forma saudável uns com os outros.

Sabemos que nos dias de hoje, as taxas de divórcio se encontram em nítido crescimento. O próprio desenvolvimento da nossa sociedade traz-nos as explicações necessárias para compreendermos esse facto.

 Se antes, o papel das mulheres era ficar em casa a cuidar dos filhos e dos maridos, hoje a mulher tem obrigações e deveres equivalentes aos do homem. Nos jovens de outrora, era incutida a ideia de que um casamento é um laço que só se desmancha com a morte. E como tal, eram muitos os casos de violência doméstica que ficavam escondidos no seio de um lar, “porque era a obrigação da mulher se sujeitar ao marido, mesmo quando isso implicava maus-tratos”; os homens tinham alguma liberdade para fornicar aqui e acolá, e independentemente das mulheres perceberem tal facto, deveriam somente fingir que não o perceberam. “porque a esposa é a mulher que temos em casa, e lá estará sempre. O resto é puro sexo”. Da mesma forma, se o homem não estivesse satisfeito com a mulher que escolhera, a solução era arranjar modos alternativos de se satisfazer: no entanto, tinha de se aguentar com aquela como esposa até ao fim dos seus dias.

 O divórcio era mal visto, e talvez neste ponto a igreja tivesse um papel importante, porque “o que Deus uniu, o Homem não deve separar”. E este pensamento estava de facto muito presente nos casais. Basta que pensemos um pouco no tempo dos nossos avós, e de como era, e é, a relação que os une.

 Mas os tempos mudaram, e uma das palavras-chave das nossas relações de hoje é a satisfação (a todos os níveis, não me refiro somente à satisfação sexual, obviamente. Apesar desta também ter um papel importante). Um casal tem de se sentir satisfeito junto, para que assim permaneça. O divórcio tornou-se uma prática corrente, e como tal ninguém quer suportar tristezas, inseguranças ou desilusões. Quem está mal, muda-se, é esse o nosso lema actual.

 Se por um lado, observamos vários pontos negativos em prolongar uma relação que não nos satisfaz, por outro, é com algum receio que observamos a leveza com o divórcio é tratado nos dias de hoje.

 É certo e sabido, que devemos querer lutar pela nossa felicidade e satisfação, mas não deveremos nós lutar, com todas as nossas forças, para que as nossas relações sejam felizes?

 Não falo de um esforço individual, mas sim de um esforço a dois. Um verdadeiro criar da palavra “nós”, em detrimento do “eu” e “tu”. Em todas as relações existem dificuldades, e dificilmente haverão casais que não sejam expostos a variadíssimas delas: o conciliar o mundo do emprego, e o mundo do casal; os conflitos do dia-a-dia; a intimidade do casal; a existência ou não de filhos; as relações com as famílias de origem; o dinheiro e a falta dele, etc, etc, etc.

 Existe um sem número de factores, que têm de ser geridos e decididos por ambos, onde obviamente as fontes de conflito proliferam.

 No entanto, o cônjuge não deve ser visto como o nosso oponente. Não é aquele que diverge de nós, que tem opiniões diferentes. O objectivo do casal, deverá ser sempre respeitar o outro, não esquecendo dos sentimentos que os uniram. A comunicação é um ponto fundamental, e deverá ser clara. Por vezes torna-se difícil não responder ao outro, em função que julgamos que o outro pensa. Mas não somos leitores de pensamentos, mesmo que assim o desejemos, e nada como clarificar primeiro o que o outro pensa, antes de extrapolar, dando uma resposta indesejada.

 Numa relação a dois, não desejamos mal-entendidos, desejamos entender o outro, para que o outro nos compreenda a nós.

 Cada vez mais, se observa uma tendência em pensar que se estamos mal com um, deveremos procurar outro. Mas os conflitos não estão, na maioria das vezes, na pessoa que está ao nosso lado, mas sim na relação que temos com ela. No construir de uma nova relação, surgirão outros conflitos, e entramos assim numa escalada de divórcios consecutivos, que além de nós marcarem a nós, negativamente, deixam também marcas nos que nos rodeiam: como os filhos.

Dever-se-ia, quanto a mim, procurar um meio-termo entre o não-masoquismo (como, por exemplo, nos casos de violência domestica) e o esforço para que uma relação possa resultar verdadeiramente.

Psicologicamente relacional…

Deus e o Coelhinho da Páscoa!

Olá, meus amigos. Hoje venho falar-vos desta época “Santa”, pela qual estamos a passar. Isto é, provavelmente, vou gerar ódios!

Há algum tempo que andava a pensar em fazer um post que tocasse nas temáticas religiosas, mas, só hoje chegou o dia! Antes de mais, gostava de referir que respeito a fé de cada um. (Daí a concordar, é um passo bastante largo).

Segundo o que sei (que sim, é pouco, por isso sintam-se livres de discordar de algo, que não seja exactamente a verdade), a igreja católica tem a “tradição” (ou devia dizer obrigação?) de impor um regime de abstinência que vai da Quarta-Feira de Cinzas, até ao dia de amanhã: a Sexta-Feira Santa (para quem não saiba quando é essa Quarta-Feira, foi há 40 dias atrás de amanhã). Ora, o que é suposto fazerem os “fiéis”: não comer carne ao longo de todas as sextas-feiras desse período, nem na quarta-feira de cinzas.

Esta seria uma forma de humildade e de redenção de pecados, julgo eu. De alguma forma, a ideia que era imposta na igreja (e pelo menos há uns tempos atrás assim o era, não sei se já houve alguma alteração), era a de quem comesse carne nesses dias estaria a “pecar”. 

Não sei até que ponto há uma extrapolação da ideia original, mas sei que muitas pessoas, ainda hoje vivem com esta ideia que lhes foi importa “carne nesses dias = pecado”.  E não digam o contrário, que conheço imensas pessoas com esta ideia. Pode ser sinonimo de simples burrice, ou má interpretação dos “ensinamentos”, mas a verdade é que foi isso que foi imposto a estas pessoas..

O que eu me pergunto, é até que ponto isto fará algum sentido. Até que ponto esta não é somente mais uma “ordem” da igreja, vinda de cima, para que o seu “rebanho” (e a palavra é extremamente bem empregue) a siga. Uma tentativa de mandar no povo, e de o cegar às coisas verdadeiramente importantes. 

Existem várias pessoas, que se dizem como católicas ferranhas, e que não fazem este período de abstinência. Fazem bem ou mal? Será que só seguem as ideias da igreja que não os incomodam? Ou será que têm o discernimento para perceber a idiotice da ideia?

E por outro lado, há aqueles que seguem religiosamente esta tradição, mas passam o resto do ano a exercer um sem número de pecados: pensemos na gula, pensemos em não desejar a mulher alheia, pensemos na preguiça, pensemos na inveja. Já para não falar em piores pecados, aqueles a que se dá o nome de crimes!

 Pensemos na imagem do assassino que se abstém na Quaresma. Ridículo, hein?

 E não é que custe comer peixe nesses dias, é suposto fazermos uma alimentação variada, há sempre dias em que não se come carne. A questão está no absurdo da ideia.

 Penso que na maioria das vezes, as pessoas dizem-se religiosas, porque a sociedade assim lhes impõe. (E sim, ainda existem muitos casos, de crianças e adolescentes que são obrigados a frequentar a igreja pelos pais, mesmo quando não lhes faz qualquer sentido). “Porque parece bem ser religioso”; “Porque somos vistos na igreja, e isso faz de nós seres melhores”. E sim, especialmente nas terras mais pequenas, é “fino” ir à missa. Mais que não seja contacta-se com pessoas importantes da dita terra, que podem ser excelentes fornecedores das ditas cunhas, que tanta falta fazem hoje em dia. Mesmo sem a consciência disso, estas são muitas vezes as verdadeiras motivações das pessoas, que se metem para ali a rezar, mas não fazem o mínimo para ser “Pessoas boas e honestas”. Vulgo: muitos deles são os maiores cabrões.

A igreja e a religião poderiam ter o seu lado positivo: podiam dar esperança as pessoas, e podiam ajudar estas pessoas a construir um mundo melhor. E nesse ponto, conseguia dar-lhes alguma positividade.

 Abomino a religião, e especialmente abomino as “igrejas”, é verdade. (Falei na católica, porque é simplesmente a que conheço melhor, as outras vão dar ao mesmo, na sua maioria). Porque transpiram falsidade por todos os poros. E respeito as pessoas que desejam acreditar em algo, não considerando que esta falsidade existe. Se considerassem, acredito que não estivessem lá… Penso que se consideram que acreditar em algo lhes faz sentir melhor, o devem continuar a fazer. Quanto a mim, acreditar na existência num ser superior e omnipotente, só me tiraria sentido à vida. Prefiro pensar que o mundo está entregue às mãos dos seres humanos, da sorte, do destino, da natureza, ou de qualquer outra coisa com a qual ninguém ainda sonhou.

Psicologicamente a comer um bom bife!

 PS – E digo mais, o importante importante nesta altura, é que não deixemos raptar o coelhinho da Páscoa! Quem sabe não é ele o nosso grande Deus? Pelo menos, traz docinhos! (Se calhar é proibido comer carne, para evitar que o coelhinho da páscoa vá parar à mesa de alguém!)  

Encontrar o Amor Perfeito – Teorias

Hoje apetece-me escrever sobre o amor. Mas desenganem-se, se pensaram de imediato em textos cheios de baba no rosto, pegajosa. Antigamente o amor começava na adolescência. Era um dos sintomas da puberdade. No corpo, as modificações são notórias, na alma, surge o amor. O sentimento arrebatado, que nos direcciona cegamente para alguém. Hoje o dia o amor nasce mais cedo, na infância. Notamos a sua nascença, assim que os meninos de cinco anos se aproximam de nós, vindos da escola, e nos dizem que têm namorada (e vice-versa). Antigamente, aos cinco anos, ainda não sabíamos o que era um namorado, ou pelo menos nunca tínhamos colocado a hipótese de ter um. Preferíamos as barbies e os legos. Antigamente, os que descobriam o amor mais cedo eram excepção. Hoje em dia, são atrasadinhos.

Mas não quero falar sobre diferenças temporais, que para tal efeito, já serviu isto. Independentemente de quando descobrimos que achamos uma piada especial aos membros do sexo oposto (ou do mesmo sexo, para alguns casos), os sentimentos vão-se aprimorando, até que chegamos aquela fase da adolescência em que todos amam alguém. E aí, pensamos em dois tipos de pessoas. Os que habitualmente se dão bem com os amores, os chamados “populares”, aos quais basta estalar os dedos para que os namoricos proliferem. (Alguns dos casos, dão para o torto, resultando em coisas como gravidezes indesejadas, mas isso não vem ao caso). E os desgraçadinhos que, vão aumentado em idade, e nada de beijos ou namoros. Julgam-se feios, e julgam que os outros os acham feios. E geralmente acham mesmo. Ou porque é “regra” achar a dita pessoa feia, independentemente da acharem ou não feia, ou porque a pessoa não sabe aproveitar a sua beleza, talvez pelo mau uso de roupa ou acessórios, ou até por alguma característica física, que inevitavelmente a rotula de pessoa feia. Numa fase tão importante de construção de identidade, como a adolescência, a auto-estima dos primeiros fica em alta (vulgo: convencidos e arrogantes), e a dos segundos em baixa (vulgo: nunca ninguém vai gostar de mim).

Com a entrada na faculdade, ou o iniciar de um emprego (ou até de outros tipos de actividade), novas pessoas se conhecem, novas relações, e para alguns dos ditos “desgraçadinhos do amor”, começa um novo ritual de aventura. Finalmente alguém se apaixona por eles, e os livra do karma de pessoas feias. Sentem que afinal conseguem seduzir quem quiserem, afinal são belos, afinal não têm nenhum “erro de fabrico”. Outros continuam em espera. E como quem espera desespera, os sentimentos negativos acerca de si próprios tendem em aumentar. “Se nunca fui correspondido, nunca o vou ser”. Para estes, o construir da primeira relação, tende a ser cada vez mais complexa, porque falta de confiança em si próprios. Fechando-se num casulo, afastam-se dos outros, que os acham “feios”. Conhecendo um menor número de pessoas novas, as oportunidades do surgir do amor decrescem, e consequentemente dá-se um aumento da insegurança e uma maior diminuição da auto-estima. Com o passar do tempo, geram-se os medos de viver para sempre sozinho. O medo da solidão, aliado à incapacidade para sair desse casulo, constrói um ciclo vicioso, do qual não é fácil encontrar uma saída.

No entretanto, os que se descobriram a si próprios, apesar de um dia terem feito parte dos “desgraçadinhos”, despertam cada vez para a realidade do amor. E não se ficam por um único par. Porque há que experimentar, comparar. Só um é pouco. É pouco, porque pode ser muito mau, mas a ele ficamos preso, por julgarmos não conseguir melhor. E depois das inevitáveis comparações, encontra-se quem julgamos ser, para nós, o mais perfeito. E daí segue-se a história da união ou casamento, a qual poderá ser para sempre, ou resultar no tão famoso divorcio. (deixo para outra altura, a dissertação sobre o aumento do mesmo).

E nesta altura, os que permanecessem sem sequer ter tido uma relação, observam os casamentos em seu redor, e começam a sentir-se isolados no mundo dos solteiros. Descem o seu “nível de exigência” procurando outros que tais, por vezes, que também eles consideram “feios”, ou resignam-se ao seu mundo solitário, tentando encontrar alegrias noutros campos, como no emprego ou na arte (há quem lhe chame sublimação).

No entanto, e em jeito de conclusão, os caminhos não são lineares, e muito menos, poderão estar definidos à partida. O futuro é imprevisível, e o que fomos no passado, não poderá ditar, com qualquer exactidão, o que nos transformaremos no futuro. Se o mais importante do ser humano se resume ao seu carácter, esse sim, ditará quem é “feio” ou “bonito”. O restante, só servirá de empecilho, para que o próprio encontre em si essa beleza, e saiba sair do caminho que julga ser o traçado para si.

E agora, perguntam vós: Mas que raio de post foi este?
Não sei, mas poderia vir em qualquer um daquele tipo de livros tristes e inúteis, do género: “os 10 passos para se ser feliz”.

Psicologicamente a palrar.