Belas e Mestres, o novo Big Brother!

Pois é, já sabem que acho uma certa piada em vir comentar programas de televisão. E isto é para poderem dizer aquela deixa “Falam mal, falam mal, mas a verdade é que vêem”. É verdade, confesso que vi o início do programa, especificamente com o objectivo de fazer um post sobre ele! (isto é dedicação bloguista, não digam que não!)

Ora, supostos objectivos do programa:
– Sabemos que os portugueses gostam deste tipo de programas – isto é – de espreitar vidas alheias!
– Sabemos que os portugueses adoram um bom romance à lá novela, e se houver sexo à mistura, melhor.

Por aí, o programa tem como ter sucesso (a nível de audiências). E obviamente, sabemos ser esse o interesse da estação televisiva em questão.

Teoricamente, o programa pretendeu encontrar pessoas, que se enquadrassem o mais possível, em dois tipos de estereótipos.

– “A burra loira”, como quem diz, a gaja super super gira, e super super burra.
– E uma espécie de “geek”. O gajo supostamente desajeitado, sem grande jeito com as mulheres, mas extremamente inteligente.

Quanto a elas, pelo menos parece haver ali uma bela amostra de burrice. Tendo em conta pérolas como:

Pergunta: “Então quais são as regiões autónomas de Portugal?”
Resposta…”Hein? Hmmm…Lisboa?”

Pistas: “(Sendo suposto identificar uma fotografia): Foi a única Primeira-ministra mulher de Portugal…Têm nome de passarinho! Maria de Lurdes…….vá…nome de um passarinho?”
Resposta: “Piriquito? Oo”

(ou chamar Napoleão a Bocage, e Gorbanov a Gorbatchev).

Pergunta: Qual a capital da Arábia Saudita? Resposta: Paquistão?

Pergunta: Então diz-me lá o que já sabes da África? Resposta: É o segundo maior continente… Pergunta: Então e qual é o maior? Resposta: Os Estados Unidos?…ah não… a América do Norte?

Quanto a eles, bem, ainda não mostraram ser nada de extraordinário. Eles acabam por não ter de provar que são inteligentes, fazendo-se disso como facto assente (pela simples frequência ou término de uma licenciatura, e o arzinho de geek?). E pareceu-me extremamente ridícula, a ideia de que um dos objectivos para eles, seria “ganhar músculo”. Uh… interessa assim tanto? Oo

O programa tem gerado alguma discussão, acerca de até que ponto, alimenta um estereótipo de que as mulheres são burras, e os homens inteligentes. Penso que não é nada disso que se trata, e a resposta é simples. Queriam juntar, pessoas inteligentes (e que não primassem pela beleza), para que pudessem de algum modo, tentar ensinar pessoas burras (por sua vez, belas). Ora… gajas boas dá mais audiência que gajos bons, é um facto (por isso as burras, tinham de ser elas). E sexo dá audiência (dai a ideia de juntar duas pessoas de sexo oposto). Não deve ser difícil perceber-se isso.

Fica a piada das calinadas que se ouvem…

Até as do júri, como, em palavras de Rui Zink “São tão fofinhos (um dos casais), que até dormia no meio deles”.

Psicologicamente a comentar mais um Reality Show!

(E com outras novidades, e como sabem que eu até tenho um gostinho por Magic, the Gathering. Já viram esta nova comic? Vá, vão ver.)

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Abortemos irmãos!

Chegou a altura de vos dar a minha opinião acerca da despenalização (ou não) da interrupção voluntária da gravidez. O referendo aproxima-se, e com ele, surgem posts e posts, notícias e notícias, movimentos e movimentos, a favor do não ou do sim, relativamente a esta questão.

Se há uns anos atrás, a minha opinião se encontrava indubitavelmente do lado do sim (porque não considero como um atentado à vida humana, mas sim um evitar da existência de um humano indesejado…), no presente não consigo encontrar justificações que pendam só para um dos lados. (Também serve este post, para tentar balancear os prós e contras de ambas as opções, de forma a tomar uma decisão em maior consciência).

Não acho que seja uma questão tão simples como pode à partida parecer, isto é: não se trata só de abortar ou não, existem inúmeras questões que se prendem com a questão principal, inúmeras consequências, se assim preferirem.

Como tal, confesso que olho com desagrado para movimentos publicitários. “VOTE SIM – TRATA-SE DA LIBERDADE DAS MULHERES”, ou “VOTE NÃO – NÃO VOTE PELA MORTE”, ou … mil e outros slogans, alguns deles até originais, que se têm encontrado por aí. Cada um é livre de ter a sua opinião, e deve votar pela sua cabeça, e não pelo que acham os outros… Achava muito mais positivo que se tentassem prever as consequências positivas e negativas para ambas as opções, do que simplesmente “fechar os olhos à opinião que não nos agrada”. Não se trata de haver vencedores ou vencidos, mas sim de se encontrar a melhor forma de gerir uma questão importante para o nosso país. Quanto a mim, é nisso, que cada um deveria pensar…

Pensemos no “NÃO”. Não devemos despenalizar. Porquê?

– Talvez o maior perigo, é que o aborto comece a ser usado como método contraceptivo. Muitos são os casos de gravidezes indesejadas, muitos são os casos, de uso da pílula do dia seguinte. Isto mostra-nos, à partida, que os portugueses ainda praticam muitas relações sexuais desprotegidas, mesmo quando não desejam uma gravidez. E que não se importam de usar métodos “de emergência”. Logo… o descuido, de certo, continuará a existir, mas “se correr mal, aborta-se…”. Penso que as pessoas deveriam ter o discernimento para não usar o aborto de ânimo assim tão leve, mas se muitos não têm o discernimento de tomar um comprimidinho como a pílula, ou usar o coisinho chamado preservativo, já nada me admira. Poderemos pensar “mas o aborto já se faz, clandestinamente ou no estrangeiro..”. É certo. Mas acredito que haja uma percentagem de pessoas, que opta por ter o filho, mesmo quando não o quer, devido ao aborto não estar liberalizado. Caso esteja: é uma opção a usar, como qualquer outra. (relativamente ao futuro das crianças, já falo no lado do sim…)

– Acho, no mínimo, engraçado, notícias, como esta:A Clínica dos Arcos, que nos últimos 12 meses recebeu nas suas instalações, em Espanha, quatro mil portuguesas que queriam interromper a sua gravidez, vai abrir instalações no centro de Lisboa durante o primeiro trimestre de 2007, antes do referendo. Mas já estará certa a vitória do SIM, e ainda não sabemos de nada? O objectivo do governo com a repetição do referendo é simplesmente um negócio para clínicas privadas? Confesso que este tipo de coisas, deixam-me de imediato com alguma vontade de votar NÃO… No entanto, acho que não deveremos confundir as questões, e não seria propriamente um não contra a despenalização do aborto, mas sim quanto aos critérios da realização do referendo, e nesse caso, preferiria optar por votar em branco, mostrando assim alguma indignação perante os nossos regimes políticos. (Aproveito por salientar a diferença: não votar = desinteresse, votar em branco = indignação).

Mas este é também é um ponto importante: Onde vão ser realizados os abortos, nos hospitais públicos? E nesse caso, ainda irão entupir mais os nossos serviços de saúde? Este não deveria ser um motivo de peso, porque os nossos serviços de saúde é que têm problemas graves, e deveriam ter a capacidade de assegurar tudo, inclusive os abortos…mas infelizmente sabemos não ser essa a nossa realidade actual. E se forem realizados somente em clínicas privadas: Ficaram as mulheres sujeitas a ter de pagar balúrdios? Não deixa de ser um serviço de “saúde”, e não um luxo… e provavelmente um dos motivos que leva a mulher a não querer a criança, são dificuldades económicas… Não são questões “fáceis”, e sinceramente não sei dizer qual a melhor opção.

E mergulhemos no SIM, devemos despenalizar o aborto.

– Porque ter um filho deverá ser uma opção do próprio. Porque errar é humano, e pode haver um azar (um preservativo romper, um esquecimento de toma de pílula…). Parece um pouco idiota, despenalizar o aborto, simplesmente porque há azares e descuidos (Não rocem objectos extra-corporais pontiagudos no raio dos preservativos, e usem um alarmezinho diário no telemóvel para o raio da pílula. Se usarem ambos, mal será que tudo corra mal). Mas a Lei de Murphy existe, e pode haver um grande azar, e mesmo assim não se conseguir a pílula do dia seguinte. Se pensarmos assim, os abortos seriam raros… logo, não havia problemas.

– Um filho deve ser desejado e planeado. Vamos ter uma criança que não queremos? Vamos sofrer uma depressão pós-parto terrível, porque não queríamos aquela criança ao pé de nós? Uma criança que destruirá todos os planos que haviam sido previamente estabelecidos… É melhor deitar uma criança ao abandono, ou dá-la, porque não se conseguiu abortar? É preferir dar-lhe uma péssima educação, porque os pais não estavam mentalmente preparados para ser pais? É preferir criar um pequeno vândalo, revoltado? Poderão dizer que muitas crianças não desejadas, no futuro, são tão amadas e bem cuidadas pelos pais, com uma criança que foi desejada. Mas muitas nunca o são… e a mulher deverá ter o direito de escolher se está ou não preparada para seguir em frente com a gravidez. O corpo é da mulher, é ela, e o pai, que vão cuidar (ou não) daquele filho. Eles saberão se estarão capazes ou não para tê-lo, e se optarem pelo aborto (como o que acham melhor para eles, e até para os filhos que terão futuramente, quando o desejarem, ou para os filhos que já têm previamente) devem ser castigados socialmente por isso? Não serão os remorsos, castigo suficiente? É difícil separar a “não penalização”, pela “liberalização”, na prática, são conceitos semelhantes em demasia. Mas somos obrigados a cuidar de alguém que não queremos que exista, quando fomos nos que o concebemos? Devemos ser penalizados, por uma escolha que fizemos em relação ao nosso próprio corpo? Não devemos ter direito a fazê-lo num ambiente seguro, sem risco para a nossa própria vida?

É preferível um aborto, ou posteriores maltratos? Maltratar uma criança que já nasceu, é crime, evitar que isso aconteça, é uma escolha.

Não é uma escolha fácil, entre o SIM e o NÃO, mas pensem, reflictam, e mais importante: votem. Votem em branco se não chegarem a uma conclusão, é preferível, do que votar no sim, porque sim, ou no não, porque não (aí, vocês é que são os abortos…)

A palavra-chave, não deveria ser aborto, mas sim PREVENÇÃO. Não devíamos somente tentar informar os nossos jovens, mas exercer politicas de prevenção mais incisivas. Distribuam mais preservativos por aí, baixem-lhe os preços, tentem mudar a consciência dos pais, que preferem que os filhos tenham relações desprotegidas, do que aceitar que os filhos tenham relações sexuais… O dinheiro gasto com o referendo, não tinha sido nada mal gasto em politicas de prevenção, digo eu…

Psicologicamente a reflectir sobre o aborto… (não, não é o aborto da vizinha, nem aquela besta que é um aborto, é mesmo sobre o referendo do próximo dia 11 de Fevereiro).

E sai um ser humano para a mesa do canto!

Pela primeira vez na história deste blog (6 meses, recentemente completos), recebi uma sugestão via mail. Aproveito para agradecer os mails que tenho recebido nestes últimos dias. (Não foram resmas, mas foram duas pessoas! Bem bom). Obviamente que nos faz sentir bastante bem, ouvir que alguém aprecia o que fazemos, mesmo que seja somente um blog…

E passando à sugestão do Paulo Fontes, vou-vos mostrar e comentar alguns excertos de um texto da autoria do mesmo.

“Ser(emos) Humano(s)?”, pergunta Paulo Fontes,

Todas as pessoas que vivem neste singelo e maravilhoso planeta são Seres Humanos. Um ser vivo com emoção, razão e alma, que nasce, cresce, amadurece, morre e consoante a grandeza da sua alma é julgado como tal! Bem, neste último aspecto cada qual tem a sua visão e opinião. Respeito e compreensão deveremos ter! É igualmente, de suma importância não descurar a linda história da mente e da emoção que todos nós temos. Actualmente, mais do nunca, o combate entre a religião e ciência ultrapassa as fronteiras do racional. Mais doente anda, obviamente, a religião, uma vez que o radicalismo tem triunfado muito através dela. Efectivamente, a ciência, também, tem provocado atrito, embora não tanto como a religião. Como é óbvio, a religião não tem culpa nenhuma… O Homem é que faz das suas…!

O duelo Religião/Ciência, sem dúvida que tem sido um dos duelos polémicos da nossa sociedade. Facilmente dizemos que a Religião não deveria querer influenciar determinadas áreas que pertencem ao domínio da Ciência. (Quem são os padres, para nos dizer que não devemos usar preservativo? Serão eles que cuidarão dos nossos filhos, ou que ficarão com as possíveis doenças?). Estas, e muitas outras, foram questões que ficaram na nossa história. Deve a Religião proibir o avanço da Ciência? Deve a Religião, usar o seu nome, para desencadear guerras? Na minha opinião não. E chamar-lhe ia hipocrisia barata, se continuasse nesta linha de pensamento. Mas a questão do texto leva-nos por outro caminho: Em nome da Ciência, ou em nome da Religião, ou em nome do que quer que seja, as acções, são acções humanas. É o homem que pensa, que decide, que age… usando como “desculpa” uma autoridade que lhe permita exercer algum poder.

Mas este Homem é Ser Humano e por algum motivo e/ou causa faz o que faz e com o interesse que tem. Veja-se o exemplo dos terroristas… Estes nascem respirando ódio, crescem num berço de ódio, brincam com ódio, adoram ódio… e querem morrer pelo ódio. Tal ambiente cria escuridão na nossa alma, mas lá no fundo mora uma emoção. Todos nascemos com emoção, mas nem a todos lhes é possibilitado semear o amor. (…). Parece-me errónea a divisão entre “homens maus” e “homens bons”…! Certamente, seria melhor dizer que somos todos, mas TODOS, Seres Humanos…uns com a emoção blindada e outros não! Quando alguém nos bate como reagimos?! Quando alguém viola um nosso parente/amigo como reagimos?! Se alguém nos rouba algo, o que fazemos?! Reagimos, seja quem for, com raiva, ódio…! Se não formos educados com amor, afecto, o que seremos quando formos adultos? Seremos inseguros, transpiraremos medo, ódio…! Se não recebermos exemplos dos nossos pais e professores, se não recebermos amor por parte dos mesmos, como poderemos ter paixão pela vida, pela nossa mente, pela natureza, pelo sucesso e, também, pelo insucesso?

Não deixa de ser engraçada, a visão romântica de que “amor cria amor”, e de que se formos tratados e educados com esse amor, saberemos ser honestos. E ao termos o amor liberto em nós, podemos ser chamados dos tradicionais “homens bons”. Quanto a mim, talvez não seja assim tão linear. A educação é fundamental, e se os terroristas existem, de facto, é por sempre terem vivido e conhecido somente um ambiente hostil de tradição de morte. Mas se não formos tão extremistas, como usando exemplos como o terrorismo, vemos que todos nós temos o nosso lado mau e o nosso lado bom, tal como nos exemplos dados nos excerto, de reagirmos mal quando alguém toma para connosco uma acção que nos prejudique de algum modo. Será essa a prova de que o “lado mau” existe em cada um de nós?
Existirão os “homens maus”, que são inerentemente maus, desonestos, sem princípios, mas que de vez em quando também sentem e amam…E os “homens bons”, que são inerentemente bons, preocupados com os outros e apaixonados, mas que também sabem ser “uns grandes filhos da p***, quando lhes pisam os calos”? E a diferença entre uns e outros estará somente na educação, ou terá algum dedo genético? (Outra das típicas dualidades).
Está o nosso lado mau, ligado à nossa necessidade de sobreviver em sociedade (isto é, de ser bem sucedido), à necessidade de ter algum poder perante o mundo? Se uns se usam das bengalas da religião para poderem impor a sua opinião, outros usarão actos ilícitos, e outros ainda lutarão em nome de qualquer outra coisa, mas na verdade todos querem chegar à mesma meta: o sucesso. O alcançar dessa meta, será sim, puramente humano, os meios, são os aprendidos, e os que parecem resultar melhor num dado tempo, e num dado contexto.

“(…)Para tal, ressalve-se que é imprescindível ensinar, dando exemplos verdadeiros e sensatos, o amor pela vida, o amor pela dúvida; incentivar os alunos/filhos a pensar, a amar, a dar e a receber, a ceder; estarmos preparados para o sucesso, assim como para o insucesso; sermos transparentes; amarmos o nosso “eu”; sermos os verdadeiros artistas do palco da emoção; sermos verdadeiros pensadores, … é o desafio que se coloca! (…).

Estes serão sem duvida pontos-chave na educação do mundo. No entanto, e correndo o risco de uma visão um pouco mais pessimista, os seres humanos, serão sempre humanos, e dificilmente largarão completamente o seu lado negativo e os seus actos e palavras mais tristes. Fazem parte dele. Mas com a melhoria na educação, seríamos todos homens “inerentemente bons”. Diminuindo as acções negativas, daqueles que antes, agiam por maldade, as respostas negativas “dos bons” diminuiriam com o tempo, até à sua extinção…ou até ao regresso dos “homens maus”. Bastaria uma única acção negativa para desencadear novamente um ciclo vicioso em torno da maldade…

E será por isso que não vale a pena lutar pela educação? Será por isso, que vemos cada vez mais uma desistência de lutar pelos valores?

Um dia estaremos tão consumidos por actos sem educação, que o caminho para o sucesso necessitará somente da honestidade. E aí a selecção natural fará com que a educação melhore, e a “bondade” prolifere.

A “diferença que faz a diferença” será ser diferente pela positiva.
Pelo menos por uns tempos…

Este foi um post também ele diferente, e não sei se foi ao encontro do pedido, mas anyway, foi a minha “primeira encomenda de post”, não iria deixar de fazê-la ^^

E porque o Psicologicamente também satisfaz os vossos pedidos (só os de posts, atençãozinha):
Psicologicamente procurando a diferença que faz a diferença…

Ontem, Hoje e Amanhã – Evolução Humana.

De tanto que por aqui se tem falado na juventude de hoje e no degredo sentido em algumas áreas da nossa sociedade, lembrei-me de um breve retrato das nossas gerações.

Tendo eu 23 anos, não será assim tão abrangente a minha ideia real (vivida) das várias gerações passadas. Centrar-me-ei assim, em três gerações.

Pensemos no tempo antigo. Para uns, descreverá melhor o tempo dos pais, para outros dos avós, ou, e tendo em conta estratos sociais diferentes, poderá somente corresponder a uma imagem de época, que sabemos ter existido.

– Crianças com poucos ou mais brinquedos, centram a sua vida em divertir-se o mais que podem, conciliando essa diversão com o respeito e auxilio aos país. São muitos os que começaram a trabalhar com os seus 14/15 anos, e que deste então levam uma vida dura de trabalho. Outros, mais abonados, estudaram um pouco mais, chegando uma pequena fatia destes a terminar um curso. Licenciados são tão poucos, que o emprego para esses é certo, no entanto, trabalho não falta para ninguém, o que varia, é a “leveza” do mesmo. A televisão, começa agora a existir, e como tal é o “fascínio” de muitos. Só existe um canal, de imagem a preto e branco, e todos se sentem felizes com a chegada da evolução. Nos tempos livres, trabalha-se no campo ou na costura, ou ajuda-se os pais com as suas tarefas. Recordam-se os tempos em que se brinca livremente nas ruas, sem que o perigo do trânsito seja significativo. Como depressa se fartam de trabalhar para si e para os pais, todos querem formar a sua vidinha e fugir aos “auxílios caseiros”. Os casamentos dão-se por volta dos 20-25 anos de idade, e filhos, surgem 1 ou 2 anos depois. E basta-nos recuar uns 50 anitos no tempo…

– As crianças começam a ter mais e mais brinquedos, e já não há ninguém que aos 10 anos não queira ter uma televisão no quarto. Brinca-se especialmente em casa, mas algumas ruas ainda são opção. Os jardins-de-infância começam a ser uma realidade, porque as mães deixam de estar em casa…no entanto ainda não é um facto totalmente generalizado. As crianças têm duas grandes preocupações: brincar e estudar. Em trabalho só têm de pensar dai a uns aninhos largos, quando acabarem um curso, ou pelo menos o 12º ano. Alguns preferem ficar pelo 9º, por opção própria e por não gostar dos livros, mas são raros os pais que não desejam que o seu filhinho querido vá mais além. Como em tudo, há crianças e crianças: há as que pedincham tudo e mais alguma coisa, mas que lá levam uns açoites de vez em quando, e há as mais quietinhas que ficam no seu canto sem grandes exigências. Há as mais faladoras e irrequietas que se portam menos bem nas aulas, e há as certinhas que só pensam nos estudos. Namoros e amores só começam a surgir nos pensamentos pelos 13-14 anos. Existe o verdadeiro conceito de inocência. Como todos querem tirar um curso, os jovens saem de casa cada vez mais tarde, cada vez mais é difícil encontrar empregos e comprar casas…Enfim, a realidade presente.

– E as crianças do presente vivem fascinadas com os seus próprios umbigos, dando um novo relevo ao chamado “egocentrismo da criança”. Exigem tudo dos pais, sem qualquer consciência da realidade. Não se pode dar muitas palmadas nos meninos, pois qualquer dia fazem queixa dos próprios país. (E estamos longe de falar em violência doméstica). As escolas são “máquinas de encher chouriços”. Que ajudem os meninos em casa, pois eles não são capazes de fazer nada por si próprios… A Floribella é a nova barbie, mas deixamos de pedir tecidos velhos para fazer vestidos para a boneca com as próprias mãos, para exigirmos tecidos das lojas, em forma de roupa de marca para nós próprios. E se não for mesmo de marca não presta… independentemente da carteira dos pais. Se for preciso empenhem-se todos, mas os meninos têm de ter tudo. Porque não há menino nenhum que não tenha um telemóvel, mesmo que ainda mal saiba escrever. (porque é preciso falar com a namorada!). Porque um leitor de mp3 é sempre uma boa prenda, mesmo que ainda se tenha 5 anos. Porque se todos têm, eu também tenho de ter. Se antes recebíamos o telemóvel aos 15 e o computador aos 18, o que daremos aos meninos de 18 de agora que até já carro têm?

Todos sabemos que a evolução tem os seus pontos positivos (e uns mesmo muito positivos. O que faríamos nós sem estes computadores, não é?) e os seus pontos negativos (onde estão certos valores?)…

No entanto… O que seremos daqui a 25 anos?

Psicologicamente especulativa…

Secretarias!

Pois é, este é um mês, quase de descanso para o Psicologicamente, especialmente devido à minha participação do Nanowrimo (para mais informações, é reparar no bonequinho aí na barrinha do lado direito).

No entanto, apeteceu-me partilhar convosco, e na sequência dos Diálogos de Secretaria uma aventura real, numa secretaria perto de si.

 

Passo 1 – Entrar na secretaria

Passo 2 – Observar cerca de cinco funcionárias, absorvidas nas suas tarefas. Uma delas olhava abismadamente para um ecrã de computador (qual “burro a olhar para um palácio”); outra delas carimbava, num acto repetido, alguns papéis; outras duas circulavam de um lado ao outro procurando algum papel perdido em pilhas de papéis, e uma última, mandava sorrisos discretos, enquanto se levantava da sua mesa e saia da secretaria.

Passo 3 – Aproximar do balcão, e pedir o desejado. (Tendo em conta que a mesa da senhora que carimbava papéis, é ao balcão, fora essa a escolhida para o pedido)

Passo 4 – Ouvir a resposta “Isso é com a minha colega” (apontando para uma das que procurava o dito papel). Surpreendentemente, noutras idas à secretaria, por motivos diferentes, “isso” era sempre com a sua colega…

Passo 5 – Esperar

Passo 6 – Esperar mais um pouco

Passo 7 – Continuar a esperar. “Eu pensava que a informática substituía os papéis” – dizia o professor que esperava o dito papel desaparecido, mas que acabou por resolver “Vou dar a minha aula, volto depois…”. Decisão acertada, para não morrer parvo, ali à espera.

Passo 8 – Continuar a esperar!

Passo 9 – Começa a ouvir-se um “Bip” persistente, claramente vindo de um computador. Reacção das funcionárias: Tocar na janela “Não…parece que não é daqui.” Reacção número dois das funcionárias: Tocar noutra coisa qualquer: “Não…parece que daqui também não…”

Passo 10 – Esperar..

Passo 11 – A dita funcionária que deveria atender, diz “só um bocadinho, que já vou..”

Passo 12 – Continuar a esperar!

Passo 13 – Ser atendida: Funcionária olha para a data do recibo: “ah não…pedido dia 18 de Outubro, ainda não está de certeza” (após terem passado os supostos “8 dias úteis”, mais uns 5 que era já para dar o desconto)

Passo 14 – Funcionária vira costas

Passo 15 – Sair da secretaria.

Psicologicamente na mesma…

Saber para Ensinar: Para quê?

“O Sindicato Nacional dos Psicólogos (SNP) vai negociar, em Setembro, com o Ministério da Educação o reconhecimento da habilitação para a docência aos licenciados em Psicologia, actualmente impedidos de leccionar aquela disciplina no ensino secundário.”

Para que serve uma Licenciatura? Para nos tornarmos, de alguma forma, peritos numa determinada área, não será? Ora, se temos de procurar alguém que saiba de um assunto, é provável que procuremos por licenciados nesse assunto, certo? (Se não quisermos ir mais alto, procurando mestrados, ou doutorados, obviamente.) Se assim não fosse, penso que as licenciaturas, não serviriam de muito…

Neste ponto, e passando ao ensino, poderíamos então pensar…bem, mas ter uma Licenciatura não significa minimamente que se saiba ensinar. Como exemplo, vemos nitidamente professores por aí, que sabem imenso do assunto, mas são uns verdadeiros azelhas a ensinar, e ninguém fica a perceber nada do que tentam explicar. E se fossemos por aqui, estaria totalmente de acordo. Há pessoas sem jeito e sem formação para ensinar. Para isso também existem cursos de Formação de Formadores, que permitem ajudar as pessoas precisamente a isso: a ensinar. Esses sim, acho natural que sejam exigidos para que alguém com uma simples Licenciatura, se possa tornar professor.

No entanto…

Até agora, a disciplina de Psicologia do 12º ano, cujo exame nacional constitui prova de ingresso para vários cursos do ensino superior, é leccionada por profissionais de outras áreas, nomeadamente por licenciados em Filosofia, uma vez que o Ministério da Educação (ME) ainda não reconheceu aos psicólogos a necessária habilitação para a docência.”

Parece que Licenciados em Filosofia servem, e têm servido ao longo destes anos. Então reparo: a questão não é saber ou não ensinar. E perguntam vos: Então o que têm a mais os Licenciados em Filosofia do que os Licenciados em Psicologia para o ensino da Psicologia! (não, não é da Filosofia). Só se tiverem desemprego a mais, porque não vejo outra coisa… (surpreendentemente os de Psicologia também têm desemprego a mais, mas pelo menos sempre podem tentar outras áreas, como: dar consultas ou qualquer coisa assim)

Podemos ainda questionar-nos: Podem ter ficado simplesmente no esquecimento…

Segundo o sindicato, algumas escolas privadas contrataram psicólogos para leccionar a disciplina no ano lectivo que terminou em Junho, mas no final do primeiro período de aulas “foram obrigadas por despacho do ME a substituir esses professores por docentes com formação noutras áreas”. “Ao longo dos anos, o Ministério da Educação foi apresentando diversos pretextos para que a licenciatura em Psicologia não fosse reconhecida para a docência, nomeadamente o número de alunos reduzido, o facto de as faculdades não solicitarem o seu reconhecimento e a existência de muitos professores de outras áreas para colocar”, acusa o SNP.

Mas parece que não, não os querem mesmo lá… Mas pronto, vamos lá fazer um favorzinho, e daqui a uns anos meter a ensinar Psicologia, quem estudou Psicologia!

“Contactado pela Lusa, o ME não confirmou até ao momento a reunião agendada para 19 de Setembro. No entanto, mesmo que a tutela reconheça aos psicólogos habilitação para dar aulas, os mesmos só poderão vir a fazê-lo a partir de 2009, já que os resultados do concurso de colocação de professores realizado este ano são válidos até essa data.”

Artigo, datado de dia 9 deste mês, aqui

Psicologicamente Mal Ensinada…