O tempo e as horas, as horas e o tempo!

Cumprir prazos. Nem sempre é fácil o cumprimento de prazos que tantas vezes nos estabelecem ao longo da vida. E para tal, vamos tentando criar estratégias para que consigamos sempre acabar tudo em hora certa.

Ela começa a controlar a o tempo. Duas horas para isto, duas horas para aquilo. Sentava-se ao computador com hora certa de sair (até parecem os velhos tempos em que pagávamos a Internet à hora). “Oh não, já só tenho cinco minutos e ainda não acabei o que queria, já vou atrasar tudo”. E com atrasar tudo, refiro-me obviamente à leitura do seu livro e à escrita de umas palavras para o livro que ansiava escrever. Seriam mais duas horas para cada uma das actividades. Só assim conseguia matar os tempos mortos. Só assim conseguia… Mas até assim tinha dificuldade em cumprir os horários. Talvez um dia pense também nos horários para os intervalos. “Que cinco minutos desperdiçados na ida à casa de banho” (imaginemos que ficava lá meia hora!). E assim continua a sua corrida contra o tempo…”já passaram dez minutos da hora, desisto, ninguém consegue viver assim”.

“Odeio atrasos, odeio atrasos. Os dedos mexem à velocidade da luz (pena que não seja tanto). Nem desistir consigo. Os prazos, os prazos. Os prazos existem para serem cumpridos, sempre me ensinaram assim. Luto contra os prazos, o tempo, o tempo que passa depressa demais. O tempo que não pára. Desejo um botão que desligue o tempo. E agora, o que faço? Acabei. Estou atrasada. Corro daqui para outro canto. Fujo para a próxima tarefa. Salto no tempo e estarei sempre atrasada. Ansiedade. A ansiedade constante dos minutos que passam no relógio do canto inferior direito do ecrã. Eles não param. Eles vivem a sua corrida contra si próprios.

Porque um minuto morre, assim que um minuto passa. E assim outro nasce, até que chegue o próximo. Tenho pena da vida curta do segundo…

Psicologicamente condenada pelo tempo…

A Coca-Cola e os Zombies

Andava sozinha pelas ruas da cidade, enquanto bebia uma Coca-Cola fresca. Anoitecia. Procurava alguém, sem saber ao certo quem, quando de repente percebi o que tinha acontecido: Zombies por todo o lado e mundo estava a cair nas suas mãos (ou nas suas boquinhas sedentas).

A estrada, totalmente ladeada por seres a cair aos pedaços, grunhindo estranhamente. Senti-me a passar no verdadeiro corredor da morte. Até que…reparei nas suas faces mortas…e eles estendiam os braços tentando retirar-me a Coca-Cola das mãos. Assim que percebi que os seus grunhidos se dirigiam à lata e não a mim, depressa a dei a um deles. Todos ficaram em redor do possuidor do liquido castanho com gás, tentando beber um pouco…

E assim que bebiam, caíam mortos (mesmo mortos), prostrados no chão…
Havia descoberto a salvação do mundo: a Coca-Cola!

Psicologicamente zombie…

(PS1 – Hoje deixo-vos somente, mais um pequeno e recente sonho)

(PS2 – E já que falo de zombies, aproveito para deixar uma pequena nota de publicidade: Undead, Dead Ahead)

Um Novo Restaurante

Abrira um novo restaurante na avenida e a sua colega e amiga convidou-a para o conhecer. Ela achou piada a ideia, sempre gostara de conhecer sítios novos, porque não visitar o novo espaço.

Assim foram até lá. Dois grandes portões vermelhos davam entrada para uma grande sala recheada de mesas e cadeiras de madeira antiga. Era uma sala quadrada com um balcão bastante alto e de vidro, que rodeava duas das suas paredes de um extremo ao outro. Do outro lado do vidro, repousavam o que pareciam ser maravilhosas iguarias culinárias: o chamado frigorifico de doces e frutas. E os preços indicados pareciam também eles, bastante apetecíveis…

Assim que chegaram, a sua amiga dirigiu-se à zona dos pedidos, no balcão, e pediu uma garrafa de água. Pagou e assim que lha deram:

“Vamos?” –> disse-lhe ela, apontando para a saída.

“Então mas…? Não vínhamos almoçar? Viemos a um restaurante comprar água?”

“Ah desculpa, não te perguntei, queres uma garrafa também?”

“Não…queria era almoçar. Isto ainda por cima tem tão bom aspecto.”

“Não te aconselho, a sério…”

“Mas já cá vieste antes, não foi? Não era bom?”

“Isto vai parecer estranho, mas…apesar de te parecer tudo bonito e diferente, todas as comidas têm o mesmo gosto…e…”

“O quê? Mas estás a brincar comigo? Vou pedir um destes bolos…”

“Tu é que sabes…”

Ela assim pediu, o que parecia ser uma fatia de bolo de chocolate com um aspecto magnífico. Mas assim que provou…

“EWWWW, mas o que é isto?” – disse ela, cuspindo o bolo que mordeu.

“Eu avisei…aqui todas as comidas sabem…a carne de porco crua! Os donos dizem que é um sabor a chouriço sempre presente, mas sabe é mesmo a carne de porco crua…”

“Mas…tudo mesmo? Como é possível?”

“Não me perguntes, mas é mesmo..”

“Não pode ser tudo tudo…”

Indignada e incrédula, ela pede uma das pequenas meloas, prova, e tem exactamente a mesma reacção.

“Mas que raio de restaurante é este? Porque viemos aqui?”

“Para conheceres…mas a única coisa aqui que sabe bem, é a água…”

“Ok…vamos embora”

“Ah, mas nunca venhas cá comprar água ao fim-de-semana, nesses dias eles não vendem água”

“Mas para que é que este restaurante existe?”

A amiga encolheu os ombros, e ambas seguiram o seu caminho.

 

(Sonho da noite de 2 Agosto de 2006)

Matar ou não matar…a mosca?

No âmbito deste Passatempo do Escreva saiu este pequeno texto:

“bzzz, bzzz”

“Maldita mosca varejeira” – pensava ele enquanto a tentava expulsar do quarto.

“Odeio estas moscas, Odeio-as”.

Abriu a janela, desviando a cortina na esperança que ela saísse. Detestava ter de matar aqueles pequenos bichinhos negros nojentos.

O zumbido incessante do insecto substituiu-se por um baque seco. Um disparo que lhe atravessara a janela: uma bala vinda de local incerto viera-lhe repousar no cérebro.

Caiu prostrado no chão.

Morto.

Horas e horas se passaram sem que ninguém encontrasse o ensanguentado corpo. Eram 15 horas, do terceiro dia depois de morto, quando lhe arrombaram a porta.

Ouviam-se zumbidos e o cheiro putrefacto avassalava as narinas. De mãos sobre os rostos, entraram no quarto: Um corpo repleto de pontos negros, com outros tantos voando em seu redor.

Moscas e Moscas…

(Lição de vida: Mais vale uma mosca morta na mão, do que mil moscas vivas no cadáver).

Psicologicamente Voador…