Pseudo Kill Bill Dream – Parte III – Final

Devia ter vindo directo a casa… devia… devia ter feito algo. Devia tê-los prevenido de que corriam riscos. Ela fê-lo por vingança e não deveria ter esperado outra coisa. Era tão previsível…como pude… como pude cruzar os braços… Depressa chegaram reforços para me ajudar. Todos os que seguiam o lema e a arte da nossa família, depressa ouviram boatos do que se estava a passar. Não tinha sido só em minha casa que haviam sido feitos estragos. Muitas foram as mortes que ela foi deixando no seu caminho. Parecia não ser uma vingança centrada em nós, mas sim generalizada ao mundo. Tínhamos de a parar. Não havia outra hipótese. Seríamos nós os salvadores do mundo, do monstro que nós próprios criamos. Talvez assim, nunca ninguém viesse a saber quem havia sido o seu criador…

Juntamo-nos todos. Uns dez, se não estou em erro. Após enterrarmos os corpos dos meus pais, munimo-nos de todas as facas e objectos cortantes que tínhamos em nossas casas. (Infelizmente não possuíamos armas de fogo, iam contra os nossos princípios). Soubemos de indicações que ela estava próxima da entrada de um Banco nas redondezas. Talvez fosse um local relativamente fácil de a apanhar…bastaria atrai-la para o interior do Banco (depois de ser arrombado, claro..), isso faria disparar os alarmes, o que nos levaria a ter a ajuda da policia na captura… teoricamente, parecia fácil. E assim o fizemos. A confusão foi grande. Conseguimos encontrá-la e captar-lhe a atenção.

Ela seguia-me a passos largos. Corri em direcção do Banco, enquanto o restante grupo partia um dos vidros, para que pudesse entrar. Entrei, e ela caiu na ratoeira. Os alarmes não se ouviam, mas sabíamos que eles eram disparados na esquadra mais próxima. Era questão de a aguentar uns tempos por ali. Para confirmar que tudo corria como previsto, ligamos para a esquadra, e dissemos que uma rapariga imensamente estranha, com um aspecto tenebroso, tinha arrombado a entrada do Banco, e que ali estávamos a tentar aguenta-la até que chegassem. Pedimos para que fossem o mais rápidos possível, e assim nos garantiram que seriam.

Tudo parecia girar à minha volta, só via pessoas a correr em todas as direcções, e a única imagem que se me fixava na mente, era a imagem dela a espalhar sangue em todas as direcções. A assassinar tudo e todos à sua volta sem qualquer arma, com um estranho poder que não sabíamos sequer de onde vinha. O nosso sangue… o meu sangue que eu tentava poupar.. Fugia com todas as minhas forças. Corria. Sentia que era impossível correr mais. No meio da estrada coloquei-me em frente a um carro de forma a faze-lo parar. Cheguei-me à janela e gritei ao condutor que saísse: “é um caso de vida ou de morte, saia imediatamente do carro”. O homem, atordoado, assim o fez. Saiu sem saber bem porquê, e deu-me lugar ao volante. Tentei sair dali o mais rapidamente possível, mas o tempo de entrada e saída no carro, foi suficiente para que ela se agarrasse a ele. Do vidro da janela do outro lado, via aquela horrível face à minha frente, segurada não sei ao certo por onde. Tentei dar guinadas ao volante, tentei esmagá-la contra alguma parede, tudo em vão. Partira-me o vidro. Larguei o carro e voltei a correr. Ela seguiu-me. Interceptei um outro carro e repeti a situação. Mas desta consegui espetar-lhe com a faca no peito. Pensei que a tivesse morto. Senti-me aliviada. Mas não. A faca como que não teve efeito. Ela era indestrutível, ou perto disso… Voltei a fugir neste novo carro, girando em torno do Banco, a policia estava a chegar. Os carros com as sirenes ouviam-se agora de perto. Afastamo-nos todos um pouco e deixamos que eles tratassem da situação. Éramos só três agora. Os únicos que conseguiram resistir às garras daquele estranho monstro em forma de mulher. Ouvimos tiros, confusão, mais tiros, gritos e mais gritos. Minutos se passaram, até que o chefe da polícia se aproximou de nós. ‘Podem estar descansados. Matamo-la”. A noticia deixou-me incrédula e em simultâneo aliviada. Mas a dúvida mantinha-se: “Tem a certeza, que morreu mesmo?”. “Absolutíssima”. As minhas certezas não eram assim tantas, especialmente por não nos terem deixado ver o corpo. Fosse como fosse mais nada havia a fazer.

Voltamos para casa, acreditando no fim do pesadelo. Não valeria a pena mais medos e preocupações. Eles saberiam se ela estava ou não morta. Se nos disseram que sim, nada mais havia a recear. Subimos as escadas do apartamento, cansados, magoados, ofegantes, desejando um local para descansar. No cimo das escadas, uma mulher nos esperava. Uma rapariga morena, de bom aspecto, que com uma peculiar voz, por nós reconhecida, nos retorquiu: “estava à vossa espera”…

Não sabemos como mudou de aspecto, não sabemos como ali foi parar, nunca tivemos provas de quem realmente era, mas o pesadelo não iria terminar…

FIM

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