Canta para mim, que eu sei que queres saber cantar!

Canta para mim! Eu sou um coitadinho, não tenho dinheiro, sou um pobretanas desgraçado e ainda por cima doente! Talvez assim receba uns trocos. Sim, o que é importante: É A CAUSA! que causa tão digna, ajudar os pobrezinhos. E como se ajuda quem precisa, perguntamos nós? Muitas vezes é dando dinheiro. Pois, o que eles precisam é dinheiro. Então o que fazemos? CANTAMOS PARA PORTUGAL! Claro, assim aparecemos, mais uma vez, na televisão. Sim, já somos famosos, mas assim passamos a ser famosos caridosos, e é assim que todos se lembrarão de nós. Não é bom?

E que tal agarrar no livro de cheques e ajudar directamente A Causa! É necessária tanta exploração de necessidades?

As pessoas não têm propriamente culpa, agarram todas as oportunidades que surgem, na esperança de tentar melhorar a sua vida, mas… e o orgulho próprio?

“Eu sou A CAUSA que o manel defende!” wow. Sou uma pessoa que vem chorar para todo o Portugal. Na verdade todos olham é para os famosos, eu sou só a desculpa para o programa existir…”

Pois claro, este é um comentário abreviado ao programa da tvi “CANTA PARA MIM” (inserir olhitos de bambi)

Psicologicamente explorada…

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Conto 1

(Um pouco diferente do habitual do psicologicamente, hoje deixo-vos algumas palavras de ficção. Nada pensado ou planificado, somente umas palavras aqui e ali em forma de pseudo-conto)

– Estou sim. Boa tarde, clínica Pompeu, em que posso ser útil?
– O meu nome é Joana Fonseca, tenho uma ecografia marcada para dia 10 as 17h, queria saber se seria possível marcar para um pouco mais cedo?
– Só um segundo, vou verificar.

Sofia pegou na agenda de marcações e encontrou o nome da paciente no dia e hora mencionados.

– Ora, temos aqui um espaço as 15 horas, é-lhe possível?
– Óptimo, Óptimo, é sim, fica para as 15 então. Muito Obrigada
– Obrigada e boa tarde

Mais uma semana de trabalho que chegava perto de fim. Sofia pegava na sua mala e saía da Clínica em direcção a sua casa. O caminho levava apenas dez minutos, percorridos a pé. Andaria de olhos fechados, se assim fosse necessário, de tantas serem as vezes que caminhava aqueles mesmos passos. As mesmas curvas, os mesmos degraus contados com precisão, as mesmas lojas, as mesmas casas. Sofia atentava em todos os pormenores. Sempre fora perfeccionista, com alguns traços a tender ao obsessivo. Como se um inexplicável medo lhe dissesse que um dia todas as informações lhe poderiam ser úteis. Se um dia qualquer acidente do destino lhe levasse a visão, conseguiria trabalhar da mesma forma que sempre o fizera: Dez passos para a direita, contornar o sinal, subir três degraus, voltar à esquerda… O que pareceria, se contado aos outros, um pessimismo nato, para Sofia era somente precaução. Deveria prever um possível desastre, para que se um dia este chegasse, não lhe causasse grande incómodo. Não se poderia prever tudo, e ela tinha total consciência disso, mas iria dar o seu melhor, na antecipação da maioria das possibilidades.

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Gajas e Gajos!

Pois é, tenho estado mais ausente daqui do que o habitual, mas nem sempre temos disposição para nos dedicarmos aos blogs, não é?

Hoje volto com um tema muito comum: o sexo! Não o acto sexual, seus depravados, refiro-me mesmo, ao género masculino e feminino (claro que com a conjugação de ambos vamos parar ao sexo, mas isso agora não vem ao caso).

Mais especificamente, gostaria de falar um bocadinho acerca da evolução do estereótipo de “Homem” e de “Mulher”. Se em tempos mais antigos, se catalogava a mulher como a dona da casa, a cuidadora dos filhos, e o homem como o chefe da casa, o responsável por trazer dinheiro ao lar, etc etc, as coisas foram mudando com os tempos. Essa é uma evolução inegável e não são necessários grandes tratados para a exemplificar.

Mas, e no presente, como estão as coisas?

Quem é o homem?

Quem é a mulher?

Se cada vez mais a partilha de tarefas, mesmo as do lar, começam a tornar-se uma realidade, onde se centram agora as diferenças entre os dois géneros?

Poderíamos dizer: Cada vez há menos diferenças, e cada vez mais estamos mais próximos de atingir uma total igualdade.

Mas não me refiro aqui a igualdades, nem a feminismos extremos que a pretendem alcançar. Não me refiro a ser superior, ou a ser mais importante, mas sim às pequenas coisas que continuam a ser mais relacionadas com homens ou mulheres, isto é: a gostos.

  1. Continua a ser referido que os homens gostam muito mais de futebol que as mulheres. (Ainda há pouco tempo assisti ao diálogo entre colegas do sexo feminino que se queixavam deste gosto extremo dos namorados pela “bola”. Ao que concluíam: “Raridade era encontrar um que não gostasse tanto…”). Pessoalmente, conheço vários que não gostam. E várias mulheres que gostam. Mesmo que a percentagem de homens a gostar seja maior que a das mulheres, a verdade, é que esta ideia continua a generalizar-se…
  2. “wow, uma gaja a gostar de anime?”; ou, “wow, uma gaja a gostar de rpg’s?”, ou “wow, uma gaja a adorar ficção científica?”; “wow, uma gaja a ouvir metal?”. As pessoas ainda ficam surpresas quando vêem uma rapariga/mulher a gostar de determinadas temáticas. No entanto, são cada vez mais as que gostam. Sendo temáticas de nichos específicos, naturalmente será mais difícil encontrar pessoas que gostem delas, fora desses nichos (independentemente de serem rapazes ou raparigas).

Mas as diferenças existem, senão não veríamos cursos como os da área de informática, recheados de 90 e tal % de rapazes, e alguns cursos na linha das humanidades com 90 e tal % de raparigas. Não serão estas escolhas de curso, influenciadas pelas próprias percentagens? Escolhas realizadas quando ainda nem sabemos muito bem quem somos e o que queremos. Sem os gostos bem definidos seguimos a direcção da maré, sem sequer colocar outras possibilidades.

Acabamos por gostar do que conhecemos (como poderíamos gostar de algo que nunca vimos?) e só quando conhecemos um número razoável de diferentes coisas é que somos capazes de fazer as nossas escolhas. Isto leva o seu tempo, e está dependente das pessoas que estão à nossa volta, e dos gostos destas pessoas. São as nossas experiências que vão marcando os nossos gostos, e não propriamente o facto de sermos homens ou mulheres…

Psicologicamente feminina…

Dia da Saúde Mental – Matar-se ou evitar a Morte?

O Dia da Saúde Mental assinala-se hoje, poucas horas depois de a ONU ter revelado que um milhão de pessoas cometem suicídio todos anos, num fenómeno que poderia ser atenuado se houvesse mais acesso a pessoal qualificado e medicamentos.

Não deixa de ter uma certa piada, o reconhecimento da falta de acesso a pessoal qualificado a este tipo de problemáticas. Reconhecemos o quão necessários são, reconhecemos que existem muitas mortes que poderiam ser evitadas, e reconhecemos a percentagem de desempregos, e a percentagem de vagas não abertas em locais necessários. Na prática, reconhecemos tudo isto hoje, porque é bonito dizer estas coisas no dia da saúde mental. Mas claro que não fazemos muito mais. A situação manter-se-á inalterada, como sempre.

Mas, e não negando o quão tudo isto é importante, falemos no Suicídio.

Todos sabemos que em estados depressivos graves, a ideação suicida poderá estar presente, sendo um dos grandes motivos de preocupação: temos pela frente o verdadeiro risco de morte, que muitas vezes parece secundário, quando falamos em perturbações mentais. A pessoal poderá estar de tal forma toldada pelos seus pensamentos negativos, que não consegue discernir uma melhor solução que a morte, para acabar com os seus problemas. É aqui, que os profissionais de ajuda poderão ter o seu papel: ajudar a pessoa a descobrir que existem sempre mais caminhos, e que por mais negra que parece a situação, provavelmente existe um escape que não tem sido avaliado.

Muitos de nós, conhecemos casos de pessoas que cometeram suicídio, que nos fazem pensar “Porquê, se tinha tanto para dar?”; “Se tivesse vivo, de certeza que tinha conseguido superar o problema e hoje estaria bem”; “Nunca pensei que uma pessoa tão inteligente, com tanta coisa conseguida, fosse tomar uma atitude destas”.

Se por um lado, poderá ser uma atitude levada pelo impulso: O desespero insuportável do momento que leva a seguir um rumo sem volta, por outro lado poderá ser um acto pensado, planeado, ponderado. Se na primeira opção, nos é mais fácil visualizar o acto como um erro, a segunda leva-nos mais a concluir que se tratou de uma escolha do próprio. Até que ponto deveremos achar que temos o direito a escolher se devemos ou não permanecer vivos? É uma escolha que nos cabe a nós? Não estaremos por vezes demasiado consumidos por pensamentos depressivos, de tal forma que nos tornamos incapazes de poder ser responsáveis por tal decisão?

Se na verdade, existe uma imensidão de casos, em que os problemas da vida não justificam tal acto, por outro lado existem mesmo vidas miseráveis, nas quais pensamos que deverá ser dificílimo ter forças para permanecer vivo. Pessoas sobre as quais admiramos a força de lutar, admiramos a coragem. Morrer, seria perder totalmente as forças, seria visto por muitos como uma cobardia. Será que temos sempre a obrigação de lutar? De ser fortes? De ir mais além? Mas quem é que saberá, se a vida “justifica” ou não tal acto? Poderemos imediatamente dizer: nada justifica a escolha pela morte. Será?

A verdade é que pouco sabemos da morte. Se o suicídio poderá ser visto, por um lado, como uma espécie de pecado, ou como cobardia, poderá por outro lado, ser encarado como uma espécie de salvação. Seja como for, as nossas crenças acerca da morte, e do que acontecerá (ou não) depois desta, deverão influenciar grandemente a opinião que temos acerca do suicídio.

Em jeito de conclusão, penso que sim, que de facto deveríamos promover ajuda a todas as pessoas. Acredito que continuariam sempre a haver suicídios, mas uma boa fatia de casos, poderia ser evitada. Seria uma espécie de alívio na consciência do mundo, se pelo menos tivéssemos a liberdade de dizer que “fizemos tudo o que estava ao nosso alcance”.

Psicologicamente Suicida

M. Night Shyamalan – Lady in the Water

Apesar dos imensos posts que surgirão pelo wordpress acerca de M. Night Shyamalan, com a estreia de Lady in the Water, não resisto, também eu, a deixar algumas palavras sobre o filme e sobre o próprio Shyamalan.

Talvez seja eu suspeita, porque me considero fã das suas obras. Mas, e arriscando-me a ser também eu criticada: gostei bastante do filme.

Não esperemos um filme de terror, não esperemos assustar-nos. Para mim, o filme é simplesmente o que é: um conto de fadas recheado de humor.

De algumas criticas que tenho lido por aí, o filme é visto por muitos como somente uma “birra” de Shyamalan, que pretende criticar a todo o custo os críticos de filmes. E sim, ele critica-os. Porque não, dizer o que bem lhe apetece? Vejo um pouco, como um acto de coragem, de quem não se importa do que poderão dizer de mal, ao invés de um acto de birra ou vingança.

Uma das coisas que mais admiro nos seus filmes, prende-se com a aura de mistério em que nos consegue envolver. Não acho que este seja a excepção, muito pelo contrário. Apesar das inúmeras cenas que nos fazem rir, não senti que quebrassem a aura de mistério, mas sim que a conseguiam complementar. Um mundo de fantasia, de história de encantar, um mundo inocente, mas que em simultâneo consegue ser negro. Nos filmes de suspense ou terror, que pretendem apanhar-nos pela sensação de susto, o humor nitidamente quebra o ritmo do filme, e consegue, por vezes, estragá-lo. Este não é um desses filmes.

Não esperemos mais um famoso twist, como em O Sexto Sentido, mas simplesmente um conto de fadas, contado aos adultos. Há que salientar, o brilhante papel levado a cabo por Paul Giamatti, a atitude cómica, de um homem que após perder o que mais amara, se dedica a ajudar os outros. Um homem que acredita de imediato que um conto de fadas pode ser real, e que faz tudo para que o consiga desvendar.

 

A leveza das personagens em acreditar que se trata de uma história real, mostra, quanto a mim, um lado inocente de esperança que deveria restar em cada um de nós.

Quanto ao gosto de Shyamalan em aparecer nos seus próprios filmes, tantas vezes criticado como narcisismo: qual o mal em gostar de dar vida às nossas criações? Fazer algo, e dar a cara pelo trabalho feito, é quanto a mim, mais uma prova de coragem.

Lady in the Water não é um filme perfeito, obviamente. Mas é um filme bem feito.

Poderá não ser um filme sério. Serão sérios os contos de fadas?

Colocando os vários filmes de Shyamalan por ordem de preferência, penso que dificilmente algum destronará O Sexto Sentido. O filme marcou uma era e todos recordamos a primeira vez em que o vimos. Seguidamente colocaria Lady in the Water e The Village, num patamar muito aproximado. (Duas brilhantes representações de Bryce Dallas Howard). Signs ficaria um pouco para trás, nunca me tendo convencido como os restantes. E por fim Unbreakable, que apesar de uma boa história, não teve em mim o impacto que os outros conseguiram ter. (Como costumo dizer, há filmes que nos chamam a atenção, outros nem por isso, independentemente da sua maior ou menor qualidade).

Psicologicamente Narf…